Prévia: O aumento alarmante de 188,6% nas denúncias de violência digital contra mulheres revela a urgência de políticas públicas eficazes e a necessidade de um ambiente virtual seguro. Dados do Ministério das Mulheres mostram que a conscientização e a capacitação são fundamentais para enfrentar essa realidade.
O cenário de violência digital contra mulheres no Brasil se tornou ainda mais preocupante, com um crescimento de 188,6% nas ocorrências registradas entre janeiro e maio de 2026. Segundo informações do Ministério das Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 denúncias nesse período, em comparação com 5.795 no mesmo intervalo do ano anterior.
As redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online têm sido utilizados como ferramentas para controlar, ameaçar e humilhar mulheres. A ministra da Mulheres, Márcia Lopes, destacou que o aumento nas denúncias pode ser um reflexo da redução das subnotificações, uma vez que as mulheres estão se sentindo mais seguras para relatar essas situações.
Capacitação e Atualização de Protocolos
Para melhorar o atendimento às vítimas de violência digital, o Ministério das Mulheres, em parceria com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, capacitou cerca de 350 atendentes do Ligue 180. Essa atualização visa orientar as vítimas sobre como agir em casos de crimes virtuais, oferecendo um suporte mais eficaz.
A coordenadora geral do Ligue 180, Ellen Costa, enfatizou a importância de ter atendentes qualificadas para identificar e tratar esses tipos de violência. A modernização do atendimento também inclui a atualização do formulário de registro, que agora contempla os diferentes tipos de violência digital.
Essas mudanças são fundamentais para que o serviço se conecte com a realidade das mulheres, indo além das orientações sobre a Lei Maria da Penha e abordando as especificidades da violência no ambiente digital.
Perfil das Vítimas e Desigualdades
Os dados revelam que as denúncias de violência digital ocupam agora a quinta posição entre os tipos de violência registrados, subindo da sétima posição em 2025. Aproximadamente 30% dos atendimentos do Ligue 180 são denúncias, enquanto os demais são solicitações de informações e orientações.
Um aspecto preocupante é que quase metade das vítimas de violência digital são mulheres negras, com 37,5% se declarando pardas e 10,5% pretas. Além disso, a faixa etária mais afetada é a de 35 a 44 anos, representando 21,6% dos casos. A desigualdade econômica também se destaca, com 45,9% das vítimas sem rendimentos ou ganhando até um salário-mínimo.
Novas Diretrizes e Campanha Nacional
A qualificação das atendentes e a atualização dos protocolos estão alinhadas ao decreto presidencial nº 12.976/2026, que estabelece diretrizes para a proteção das mulheres na Internet. Este decreto visa criar um ambiente digital seguro e garantir a liberdade de expressão das mulheres, combatendo a violência online.
O Ministério das Mulheres lançou a campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar”, com o objetivo de informar a sociedade sobre o novo decreto e incentivar as denúncias. A campanha destaca a importância de proteger as mulheres no ambiente digital e reforça a necessidade de ações coletivas para enfrentar essa problemática.
Com a crescente incidência de violência digital, é essencial que a sociedade e o governo se unam para promover a conscientização e garantir um espaço seguro para todas as mulheres na Internet. A luta contra a violência digital é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.











