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Mais de 500 mulheres quilombolas no DF pedem proteção e justiça climática

Mais de 500 mulheres quilombolas se reúnem no Distrito Federal para discutir a proteção dos direitos humanos e a justiça climática. O encontro marca o lançamento de um plano emergencial...

Mais de 500 mulheres quilombolas no DF pedem proteção e justiça climática

Previa: Mais de 500 mulheres quilombolas se reúnem no Distrito Federal para discutir a proteção dos direitos humanos e a justiça climática. O encontro marca o lançamento de um plano emergencial que busca garantir políticas públicas efetivas para essas comunidades.

A terceira edição do encontro nacional de mulheres quilombolas acontece na região administrativa do Gama, no Distrito Federal, até o dia 14 de junho. O evento celebra os 30 anos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e reúne representantes de comunidades tradicionais de todo o Brasil.

No primeiro dia do evento, foi apresentado o “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos”, um documento de 85 páginas que destaca a urgência de políticas públicas que atendam às demandas específicas dessas mulheres. O plano inclui garantias de proteção coletiva e territorial, além de análises relacionadas a gênero e raça.

Demandas e desafios

Entre as principais reivindicações estão a valorização dos saberes e práticas quilombolas, a superação de falhas estruturais nos programas de segurança e o fortalecimento de equipes multidisciplinares que possam oferecer respostas rápidas a riscos enfrentados por essas lideranças. A coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, Selma Dealdina, enfatiza que o plano é uma resposta ao aumento dos conflitos agrários e ambientais que afetam as mulheres quilombolas.

Além disso, a iniciativa prevê ações práticas a curto prazo, como a publicação de uma cartilha pedagógica e a realização de formações integradas para fortalecer a articulação política das participantes. Essas ações visam empoderar as mulheres e garantir que suas vozes sejam ouvidas nas esferas de decisão.

Exibição de documentário

O evento também contou com a exibição do documentário Cafuné, que retrata a realidade de lideranças comunitárias ameaçadas e o impacto das mortes de mulheres, como a de Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023. O filme, produzido pela Conaq, é parte de um projeto que será apresentado a autoridades para sensibilizar sobre a situação das comunidades quilombolas.

A coordenadora executiva da Conaq, Sandra Braga, ressaltou a importância do encontro para compartilhar as experiências e lutas das mulheres quilombolas. “É fundamental fortalecer nossos territórios e nossa ancestralidade”, afirmou, destacando a necessidade de união entre as participantes.

Justiça climática e diversidade

O lema do evento, “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia”, reflete a urgência de ações para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais. Os organizadores buscam unir forças entre agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diversas regiões, promovendo a diversidade dos produtos dos biomas brasileiros.

Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, destacou que as mulheres são as principais responsáveis pela produção nos territórios, seja na agricultura familiar, medicina tradicional ou artesanato. Cada estado traz uma identidade única, moldada por seu bioma, e essa diversidade é essencial para a resistência e fortalecimento das comunidades quilombolas.

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