Prévia: O mercado de milho em Chicago apresenta alta impulsionada por compras de fundos e demanda externa, enquanto no Brasil, a colheita da segunda safra e a disputa por preços limitam as negociações.
O mercado internacional do milho começou a sexta-feira (7) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). O aumento das compras por fundos de investimento, a demanda consistente e as preocupações climáticas nos Estados Unidos e na América do Sul são os principais fatores que impulsionam essa valorização. No Brasil, o cenário é diferente, com a colheita da segunda safra avançando e uma disputa acirrada entre produtores e consumidores, o que restringe o ritmo das negociações.
Milho amplia ganhos em Chicago com apoio de investidores e exportações
Os contratos futuros do milho na CBOT abriram em campo positivo, estendendo os ganhos da sessão anterior. O contrato com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,41 por bushel, com uma valorização de 2,50 pontos. Outros vencimentos, como dezembro de 2026 e março de 2027, também apresentaram alta, refletindo o apetite renovado dos investidores pelas commodities agrícolas.
Embora algumas previsões climáticas indiquem melhorias nas condições das lavouras nos Estados Unidos, ainda há incertezas sobre a capacidade de recuperação das áreas afetadas por estresse hídrico. Além disso, as projeções de longo prazo continuam a apontar para riscos de déficit hídrico, especialmente com a expectativa de que o fenômeno El Niño persista ao longo de 2026.
A demanda externa também tem se mostrado forte, com as exportações norte-americanas apresentando um bom desempenho. As vendas internacionais e o crescimento da carteira de embarques da nova safra reforçam a confiança dos investidores no mercado.
Mercado brasileiro segue cauteloso
Apesar de algumas altas pontuais, os vencimentos ainda acumulam perdas na comparação semanal, evidenciando a pressão causada pelo aumento da disponibilidade de milho. Os produtores estão relutantes em intensificar as vendas, na expectativa de preços mais atrativos.
Colheita avança e liquidez permanece limitada
Nas principais regiões produtoras do Brasil, a comercialização segue de forma pontual. No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 58 e R$ 63 por saca, com as indústrias realizando apenas compras de reposição. Em Santa Catarina, a diferença entre os preços pedidos e ofertados tem reduzido a liquidez do mercado, com referências em torno de R$ 60 por saca.
No Paraná, a colheita da segunda safra já alcança cerca de 52% da área cultivada, com 85% das lavouras classificadas como boas. Apesar disso, as negociações permanecem lentas, com preços próximos de R$ 60 por saca. Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48 e R$ 50 por saca, com parte da nova produção sendo absorvida pelas indústrias de etanol de milho e bioenergia.
Mercado acompanha clima, exportações e ritmo da colheita
Os próximos movimentos do mercado de milho devem ser influenciados por três fatores principais: as condições climáticas nos Estados Unidos, o desempenho das exportações e o avanço da colheita da segunda safra no Brasil. Se a demanda internacional continuar aquecida e as preocupações climáticas persistirem, Chicago poderá manter um viés positivo.
No mercado brasileiro, a tendência é de negociações cautelosas, com produtores sustentando suas ofertas e compradores adquirindo apenas o necessário. Essa dinâmica mantém a disputa por preços nas principais regiões produtoras, refletindo um cenário de incertezas e expectativas variadas entre os agentes do mercado.











