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Milho em alta em Chicago por piora das lavouras nos EUA, mas mercado brasileiro estagnado

O mercado de milho em Chicago apresenta alta devido à deterioração das lavouras nos EUA, enquanto o Brasil enfrenta um cenário de baixa liquidez e produtores seguram vendas à espera...

Milho em alta em Chicago por piora das lavouras nos EUA, mas mercado brasileiro estagnado

Previa: O mercado de milho em Chicago apresenta alta devido à deterioração das lavouras nos EUA, enquanto o Brasil enfrenta um cenário de baixa liquidez e produtores seguram vendas à espera de melhores preços.

O mercado internacional de milho começou a terça-feira (28) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado pela deterioração das condições das lavouras nos Estados Unidos. O mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou uma queda na qualidade das plantações, interrompendo a pressão baixista que predominava nos dias anteriores.

No Brasil, o cenário é diferente. Apesar da valorização externa, o mercado físico continua com baixa liquidez. Os produtores estão segurando as vendas, aguardando preços mais atrativos, enquanto os compradores se mostram cautelosos, priorizando a utilização dos estoques antes de realizar novas aquisições.

USDA reduz qualidade das lavouras e impulsiona contratos futuros

Conforme o USDA, apenas 63% das lavouras de milho nos EUA foram classificadas como boas ou excelentes, uma queda de quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Essa deterioração ocorre em meio a uma intensa onda de calor que afeta o Meio-Oeste, principal região produtora de milho do país.

As altas temperaturas, que podem atingir até 41°C em estados como Illinois e Missouri, aumentam as preocupações sobre os impactos no desenvolvimento das lavouras. Essa situação foi suficiente para estimular compras técnicas no mercado futuro, com investidores atentos às condições climáticas que podem influenciar os preços nas próximas semanas.

Mercado brasileiro permanece travado mesmo com valorização externa

No Brasil, o comportamento dos preços é influenciado pela colheita da segunda safra e pela postura cautelosa dos agentes do mercado. A Bolsa Brasileira (B3) encerrou a sessão anterior em queda, acompanhando o movimento do mercado internacional, mas os preços internos permanecem relativamente sustentados devido ao descolamento entre os contratos futuros e o mercado físico.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que, embora a colheita avance em várias regiões, o volume disponível para negociação ainda é limitado. Os produtores estão reticentes, esperando uma melhora na paridade de exportação e novas oportunidades de valorização.

Colheita avança lentamente e comercialização segue limitada

A comercialização do milho nas principais regiões produtoras do Brasil continua lenta. No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 57,00 e R$ 65,00 por saca, com uma média de R$ 59,04. Em Santa Catarina, as referências estão em torno de R$ 60,00, enquanto no Paraná, a colheita atingiu apenas 29% da área cultivada, abaixo da média histórica.

Em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilam entre R$ 48,00 e R$ 50,05 por saca, com a colheita alcançando cerca de 20% da área. A demanda das usinas de bioenergia está absorvendo parte da produção, aliviando a pressão de oferta no mercado regional.

Clima nos EUA e ritmo da colheita no Brasil devem definir os próximos movimentos

Os próximos dias serão cruciais para o mercado internacional do milho. A continuidade das altas temperaturas nas regiões produtoras dos EUA será monitorada de perto, podendo provocar novas oscilações nos preços em Chicago. No Brasil, o avanço da colheita, o comportamento das exportações e a demanda da indústria seguirão determinando o ritmo das negociações, em um cenário marcado por baixa liquidez e cautela entre vendedores e compradores.

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