Prévia: O mercado de milho no Brasil apresenta preços firmes, impulsionados pela demanda interna e pelo atraso na colheita da segunda safra no Paraná. No cenário internacional, a volatilidade na Bolsa de Chicago é influenciada por tensões geopolíticas e condições climáticas nos Estados Unidos.
Atualmente, o mercado de milho brasileiro se destaca por sua estabilidade, refletindo um aumento na demanda interna e desafios na colheita. O atraso na colheita da safrinha no Paraná, devido a chuvas, tem contribuído para a manutenção dos preços, que permanecem firmes nas principais regiões produtoras do país.
Mercado brasileiro de milho mantém preços firmes
Os preços do milho no mercado físico brasileiro iniciaram a semana com uma tendência de alta, impulsionados pela demanda interna. Apesar da cautela dos produtores na hora de negociar, as transações estão se tornando mais dinâmicas.
De acordo com Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, as chuvas no Paraná têm atrasado a colheita, o que reduz temporariamente a oferta e sustenta os preços. Embora os valores nos portos ainda não incentivem uma valorização significativa, o consumo interno continua forte, evitando quedas mais acentuadas.
Cotações do milho nas principais praças brasileiras
As cotações do milho permanecem estáveis nas principais regiões do Brasil. No Porto de Santos, os preços variam entre R$ 65,50 e R$ 70,00 por saca, enquanto em Paranaguá, os valores estão entre R$ 65,00 e R$ 68,00. No mercado interno, as cotações variam de R$ 54,00 a R$ 69,00, dependendo da localidade.
Chicago oscila entre clima nos EUA, petróleo e conflito no Mar Negro
No mercado internacional, a Bolsa de Chicago apresentou oscilações, com o milho inicialmente pressionado por realizações de lucros e a queda do petróleo. Contudo, a preocupação com o conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a influenciar o mercado, uma vez que a instabilidade pode afetar as exportações pelo Mar Negro.
Esse ambiente geopolítico tem aumentado a percepção de risco, limitando quedas e favorecendo compras técnicas. As tensões no Mar Negro são um fator crítico, pois essa região é uma das principais rotas globais para o abastecimento de grãos.
Clima nos Estados Unidos preocupa mercado
Outro ponto de atenção é o desenvolvimento da safra de milho nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou uma redução na classificação das lavouras, devido a altas temperaturas e falta de chuvas em regiões-chave do Meio-Oeste.
Até o início de agosto, 61% das lavouras foram classificadas como boas ou excelentes, uma queda em relação à semana anterior. Essa deterioração nas condições das lavouras pode impactar a produtividade e, consequentemente, os preços internacionais.
Exportações dos EUA reforçam cenário positivo
Os números de exportação também têm contribuído para um cenário otimista. As vendas líquidas de milho dos EUA para a temporada 2025/26 alcançaram 332,7 mil toneladas, com o México sendo o principal comprador. Para a safra 2026/27, foram registradas vendas adicionais de 701,5 mil toneladas, reforçando a demanda pelo cereal norte-americano.
Perspectivas para o mercado de milho
O mercado de milho continua a ser influenciado por uma combinação de fatores internos e externos. No Brasil, o atraso na colheita e a demanda aquecida sustentam os preços, enquanto no exterior, a atenção se volta para o clima nos EUA e as tensões geopolíticas. Qualquer nova perda nas lavouras americanas ou restrições nas exportações globais podem levar a uma valorização no mercado internacional, impactando diretamente os preços no Brasil.











