Previa: O mercado de milho enfrenta desafios com a queda nas exportações brasileiras e a cautela dos compradores, enquanto os preços internacionais são impulsionados pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
O cenário atual do mercado de milho é marcado por uma combinação de fatores que exigem atenção dos produtores e compradores. As exportações brasileiras estão aquém do que foi registrado no mesmo período do ano passado, e a colheita da segunda safra está aumentando a oferta. Em contrapartida, os conflitos na Europa Oriental têm elevado os preços internacionais, especialmente na Bolsa de Chicago.
Desempenho das exportações brasileiras
Os embarques de milho do Brasil em julho de 2026 totalizaram 1,94 milhão de toneladas, representando apenas 79,8% do volume exportado no mesmo mês do ano anterior. Essa queda de 20,2% na média diária de embarques é atribuída a atrasos na colheita e a preços considerados pouco atrativos nos portos.
Para agosto, a expectativa da Anec é que os embarques atinjam cerca de 4 milhões de toneladas, o que poderia ajudar a melhorar a sustentação dos preços no mercado interno. Contudo, a liquidez permanece limitada, com compradores adotando uma postura cautelosa nas negociações.
Comportamento do mercado interno
No Brasil, a resistência dos produtores em vender a preços considerados baixos e a cautela dos compradores têm dificultado as transações. Com a colheita atrasada, muitos produtores estão segurando o milho e priorizando o consumo de seus estoques, na expectativa de que o mercado externo se fortaleça.
Essa dinâmica tem gerado um equilíbrio delicado, onde compradores esperam preços mais baixos, enquanto vendedores hesitam em aumentar a oferta. O resultado é uma liquidez reduzida e um mercado sem uma tendência clara.
Impacto da guerra entre Rússia e Ucrânia
Os conflitos na região do Mar Negro têm gerado preocupações significativas sobre a logística de exportação de grãos, afetando diretamente o preço do milho em Chicago. Na manhã do dia 10 de agosto, os contratos futuros de milho apresentavam alta, com o vencimento de setembro/26 negociado a US$ 4,41 por bushel.
Esse aumento é impulsionado pela incerteza geopolítica, que adiciona um prêmio de risco ao mercado. A deterioração da situação na Ucrânia pode ter um impacto direto sobre a movimentação de grãos e a infraestrutura de exportação, influenciando os preços globais.
Preços mistos na B3
Na B3, os contratos futuros de milho apresentaram um comportamento misto. O vencimento de setembro/26 estava cotado a R$ 68,96 por saca, com uma leve alta, enquanto o janeiro/27 apresentava uma pequena queda. Essa variação reflete a incerteza que permeia o mercado, com a entrada da segunda safra aumentando a oferta, mas as exportações e o cenário internacional ainda oferecendo suporte.
Na semana anterior, o mercado fechou com saldo negativo, evidenciando a volatilidade e a falta de direção clara nas cotações.
Estratégias para os produtores
Diante desse cenário desafiador, os produtores são aconselhados a adotar uma abordagem cautelosa na comercialização do milho. A venda escalonada pode ser uma estratégia eficaz para minimizar riscos, aproveitando eventuais movimentos de alta no mercado.
Além disso, é importante monitorar fatores como a demanda das indústrias de carnes, as exportações e o comportamento do câmbio, que podem influenciar rapidamente a relação entre oferta e demanda. A proteção de preços para a próxima safra também é recomendada, evitando a exposição total a flutuações indesejadas.
Com a colheita avançando e as incertezas no mercado, a atenção contínua às oportunidades de venda será crucial para os produtores de milho nos próximos meses.











