Previa: O mercado de milho no Brasil enfrenta baixa liquidez, com negociações limitadas e produtores resistentes a baixar preços. Enquanto isso, o mercado internacional reage a condições climáticas nos EUA, impactando as cotações na B3.
Atualmente, o setor de milho no Brasil está marcado por uma baixa liquidez, refletindo um cenário de negociações pontuais. Os compradores estão bem abastecidos, enquanto os produtores se mostram relutantes em reduzir os preços. Essa dinâmica mantém o mercado em um estado de espera, especialmente em relação à colheita da segunda safra brasileira e às condições climáticas nos Estados Unidos, que continuam a influenciar as bolsas de valores.
Mercado físico permanece lento com negociações apenas para reposição
De acordo com a TF Agroeconômica, as regiões Sul e Mato Grosso do Sul estão enfrentando uma baixa liquidez no mercado físico. As compras estão ocorrendo principalmente para reposição imediata, uma vez que os consumidores já possuem um bom nível de abastecimento e aguardam a chegada da nova safra.
Os vendedores, por sua vez, mantêm uma postura firme nas negociações, o que limita o volume de negócios. A diferença entre os preços que os compradores estão dispostos a pagar e os valores que os vendedores desejam receber tem sido um obstáculo significativo.
Rio Grande do Sul mantém sustentação nos preços
No Rio Grande do Sul, as cotações do milho variam entre R$ 56,00 e R$ 64,00 por saca. A média estadual sofreu uma leve queda, passando de R$ 59,08 para R$ 58,88 por saca, uma diminuição de 0,34%.
Apesar dessa queda, diversos fatores continuam a oferecer suporte ao mercado, como a entrada mais lenta da nova safra, a firmeza das cotações internacionais, a demanda constante da pecuária leiteira e a menor pressão imediata de oferta.
Santa Catarina enfrenta impasse entre compradores e vendedores
Em Santa Catarina, o mercado permanece travado. As ofertas de venda estão em torno de R$ 60,00 por saca, enquanto os compradores estão dispostos a pagar cerca de R$ 55,00. Essa diferença de preços tem dificultado o fechamento de novos negócios.
Ainda que a oferta esteja mais restrita em algumas regiões, a distância entre as propostas de compra e venda continua a ser o principal obstáculo para a comercialização.
Paraná avança na colheita, mas clima dificulta trabalhos
No Paraná, as referências de preços também estão próximas de R$ 60,00 por saca, com a demanda girando em torno de R$ 55,00 CIF. A colheita da segunda safra já alcançou aproximadamente 16% da área cultivada, com a maioria das lavouras apresentando boas condições.
No entanto, a elevada umidade dos grãos e do solo está atrasando os trabalhos de campo e aumentando os custos de secagem. Eventos climáticos recentes, como geadas e granizo, também têm causado perdas pontuais de qualidade nas lavouras.
Mato Grosso do Sul segue pressionado pela lenta colheita
Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 47,57 e R$ 50,00 por saca. A lentidão na colheita está mantendo o mercado moderado, enquanto a indústria de bioenergia absorve parte da produção regional.
A expectativa de uma maior oferta nacional limita reações mais expressivas nos preços, mantendo os produtores cautelosos.
Chicago reage ao calor nos Estados Unidos
No mercado internacional, a Bolsa de Chicago (CBOT) registrou forte valorização, impulsionada pelas previsões de temperaturas elevadas nas principais áreas produtoras dos Estados Unidos. As temperaturas podem chegar a 38°C, levantando preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras de milho.
Além disso, a desvalorização do dólar em relação a outras moedas aumentou a competitividade das exportações norte-americanas, contribuindo para a alta dos preços. Os contratos futuros de setembro fecharam a US$ 4,47½ por bushel, com um avanço de cerca de 2%.
Perspectivas para o mercado
O mercado de milho continua dividido entre fundamentos internos e externos. No Brasil, a expectativa de maior oferta com o avanço da safrinha mantém os compradores cautelosos, enquanto os produtores resistem a baixar os preços.
Externamente, o clima é um fator crucial para a formação das cotações. Se as previsões de calor persistirem e afetarem a produtividade das lavouras nos EUA, isso poderá oferecer suporte aos preços internacionais. A comercialização no Brasil deve permanecer seletiva, com negócios concentrados em reposições pontuais e pouca disposição para negociações de maior volume.











