Previa: O mercado global de cacau enfrentará uma significativa redução na oferta na safra 2026/27, com a previsão de um excedente de apenas 25 mil toneladas. O fenômeno El Niño e a queda na produção da África Ocidental são os principais fatores que influenciam essa mudança.
A consultoria StoneX divulgou novas projeções que indicam um cenário de oferta mais restrita para o mercado internacional de cacau na safra 2026/27. O excedente global deve cair drasticamente, passando de 422 mil toneladas na temporada anterior para apenas 25 mil toneladas, refletindo a crescente preocupação com a produção na África Ocidental, que é responsável por uma parte significativa da oferta mundial.
Impactos do El Niño na produção de cacau
O aumento do risco de ocorrência do fenômeno El Niño é um dos principais fatores que contribuem para essa revisão nas estimativas. A StoneX alerta que a probabilidade de um evento de forte intensidade nos próximos meses pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, especialmente nas regiões produtoras da África Ocidental.
Históricos mostram que episódios anteriores de El Niño resultaram em quedas significativas na produção de cacau, o que levanta preocupações sobre a capacidade de atender à demanda crescente do mercado. Além disso, a formação de frutos nas principais áreas produtoras tem sido menor, reforçando a expectativa de uma safra desafiadora.
Redução na produção da Costa do Marfim e Gana
A Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, deve enfrentar uma queda de cerca de 11% na produção, passando de 2 milhões para 1,775 milhão de toneladas. Gana, o segundo maior produtor, também verá uma redução de 10%, com a produção estimada em 585 mil toneladas.
Essas perdas significativas nos dois principais países produtores tendem a impactar a oferta global, aumentando a sensibilidade do mercado a novos problemas climáticos ou fitossanitários que possam surgir.
O papel do Equador na produção global
Enquanto a produção africana enfrenta desafios, o Equador se destaca com uma previsão de produção estável em torno de 600 mil toneladas. Caso essa estimativa se confirme, o país poderá ultrapassar Gana e se tornar o segundo maior produtor mundial de cacau.
Os investimentos em tecnologia e manejo das lavouras têm contribuído para que os produtores equatorianos consigam mitigar os impactos do El Niño, garantindo uma produção mais resiliente.
Demanda crescente e produção em declínio
As projeções indicam que a produção global de cacau deve cair cerca de 6%, passando de 5,136 milhões para 4,827 milhões de toneladas na safra 2026/27. Em contrapartida, a demanda mundial continua a crescer, com expectativa de atingir aproximadamente 4,754 milhões de toneladas, um aumento de 2% em relação ao ciclo anterior.
Essa discrepância entre a queda na produção e o aumento da demanda pode resultar em uma absorção quase total do excedente disponível, aumentando a volatilidade nos preços internacionais do cacau.
Brasil e sua posição no mercado internacional
Para o Brasil, a StoneX projeta uma leve redução na produção, de 215 mil para 210 mil toneladas. Apesar dessa retração, o país mantém uma posição importante no mercado internacional, impulsionada por investimentos em tecnologia e práticas sustentáveis.
Esse cenário pode abrir novas oportunidades para os produtores brasileiros, especialmente em um contexto de oferta restrita nos principais países exportadores.
Monitoramento das condições climáticas
A redução expressiva do excedente mundial destaca a dependência do mercado de cacau em relação às condições climáticas. O acompanhamento constante das lavouras nos principais países produtores será crucial para entender as possíveis flutuações nos preços internacionais.
Analistas do setor ressaltam que o equilíbrio entre produção e consumo será fundamental para sustentar os preços do cacau nos próximos meses, especialmente com a contínua expansão da demanda global. A atenção às condições climáticas e a capacidade de adaptação dos produtores serão determinantes para o futuro do mercado de cacau.











