Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil permanece cauteloso, com negociações limitadas e incertezas sobre a próxima safra. Enquanto isso, os preços em Chicago apresentam queda, refletindo a volatilidade global.
O cenário atual do mercado de trigo no Sul do Brasil é marcado por uma postura cautelosa entre os agentes do setor. De acordo com análises da TF Agroeconômica, tanto compradores quanto vendedores estão adotando um ritmo reduzido de negociações, priorizando lotes de trigo de melhor qualidade e evitando o alongamento de posições.
No Rio Grande do Sul, os moinhos buscam adquirir o restante do trigo de boa qualidade disponível, visando minimizar a necessidade de importações. Os preços variam entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada, com o trigo melhorador alcançando cerca de R$ 1.500 por tonelada. Além disso, foram registrados negócios FOB em menor volume a R$ 1.350, com embarque previsto para julho e pagamento no início de agosto.
Expectativas e desafios para a próxima safra
A expectativa para a próxima safra de trigo no Sul do Brasil gera preocupação entre os produtores, especialmente no Rio Grande do Sul. Os custos elevados de produção, a pressão sobre os preços e os riscos climáticos, como os associados ao fenômeno El Niño, são fatores que contribuem para a incerteza no campo.
Cooperativas do centro e noroeste do estado já sinalizam uma possível redução de até 40% na área plantada, embora essa informação ainda não tenha confirmação oficial. A Emater-RS projeta uma produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas, um volume consideravelmente inferior ao da safra anterior, que variou entre 3,8 e 4 milhões de toneladas.
Em Panambi, o preço de balcão permanece em torno de R$ 69 por saca, enquanto em Santa Catarina o mercado enfrenta dificuldades de escoamento da farinha. Os negócios pontuais de trigo-pão estão sendo realizados a R$ 1.360 FOB e o trigo melhorador a R$ 1.400 FOB, com cotações estáveis e sem movimentações significativas de alta.
No Paraná, o foco está na liberação de espaço para a safrinha de milho, com referências de preços variando entre R$ 1.450 e R$ 1.500 CIF moinho. As ofertas FOB partem de R$ 1.400, com os preços nos Campos Gerais em torno de R$ 1.420 CIF e no norte do estado oscilando entre R$ 1.450 e R$ 1.480 CIF.
Queda nos preços em Chicago e impacto no mercado global
Os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a quinta-feira (25) em queda, refletindo um movimento de ajuste após uma sessão marcada por volatilidade. As cotações para julho/26 estão em US$ 5,81/bushel, com uma queda de 4,2 pontos, enquanto setembro/26 e dezembro/26 também apresentaram recuos.
Na sessão anterior, os grãos já haviam encerrado em baixa, pressionados por movimentos técnicos e pela reavaliação das perspectivas de oferta global. O mercado de trigo continua no radar dos investidores, especialmente com o avanço das colheitas no Hemisfério Norte e as condições das lavouras nos principais países produtores.
Além disso, o mercado brasileiro permanece atento ao desenvolvimento da safra de inverno. O avanço do plantio e as condições climáticas nas regiões produtoras do Sul são cruciais para o potencial produtivo desta temporada. O setor também observa a possível redução de área em algumas regiões e a dependência de importações para garantir o abastecimento interno.
Com a Bolsa de Chicago reagindo às condições de oferta global e o Brasil ajustando suas expectativas para a safra de 2026, o mercado de trigo segue em um ambiente de volatilidade, exigindo decisões estratégicas mais cautelosas ao longo do segundo semestre.











