Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta dificuldades, com negociações escassas e preços estagnados. Apesar disso, fatores internacionais indicam uma possível alta, exigindo cautela na comercialização.
O cenário atual do mercado de trigo no Sul do Brasil é marcado por uma estagnação nas negociações. Compradores estão cautelosos e os vendedores relutam em baixar os preços, resultando em um ambiente de baixa liquidez. A TF Agroeconômica aponta que, enquanto o mercado interno enfrenta dificuldades, os fundamentos internacionais sugerem um viés de alta para os preços.
Desafios no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as transações de trigo permanecem limitadas. Os vendedores estão pedindo cerca de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os compradores oferecem até R$ 1.320, criando um impasse nas negociações. Recentemente, as vendas de trigo não segregado foram realizadas entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada, com os moinhos mantendo estoques até meados de setembro.
O farelo de trigo, por outro lado, apresenta uma valorização devido à oferta restrita, ajudando a melhorar as margens das indústrias. Essa situação contrasta com a comercialização da nova safra, que ainda está praticamente parada, com apenas 60 mil toneladas negociadas até o momento.
Expectativas para a nova safra
A nova safra de trigo no Rio Grande do Sul enfrenta resistência, com indicações de compra em torno de R$ 1.400 por tonelada FOB para dezembro, mas sem interesse por parte dos vendedores. A Emater-RS estima que a área plantada atinja 814,2 mil hectares, com uma produtividade média de 2.701 quilos por hectare. Contudo, o excesso de umidade levanta preocupações sobre a qualidade dos grãos.
Em Santa Catarina, os moinhos estão relativamente bem abastecidos, mas dependem do trigo gaúcho para complementar suas necessidades. No Paraná, a situação é mais crítica, com uma área plantada reduzida e riscos climáticos que podem impactar a produção e a qualidade do trigo.
Influências do mercado internacional
Apesar da lentidão no mercado interno, os fundamentos internacionais estão sustentando uma perspectiva de alta para os preços do trigo. Fatores como a paralisação de terminais no Mar Negro e a seca em áreas produtoras nos Estados Unidos contribuem para essa expectativa. A TF Agroeconômica estima que a produção brasileira de trigo será de 5,81 milhões de toneladas, aumentando a dependência das importações.
No entanto, a valorização dos preços pode ser limitada por exportações norte-americanas fracas e condições favoráveis na safra argentina. No mercado futuro, a referência de 665 cents por bushel em Chicago é crucial para monitorar a continuidade do movimento de alta.
Recomendações para produtores e moinhos
Com o cenário atual, os produtores são aconselhados a evitar a venda total da safra de uma só vez. A estratégia de comercialização deve ser escalonada, permitindo aproveitar momentos de preços mais favoráveis. A qualidade do trigo também se torna um fator crucial, com a expectativa de que a diferenciação de preços entre lotes de boa e má qualidade aumente na próxima temporada.
Para os moinhos, a antecipação das compras é recomendada, especialmente para trigo de qualidade superior. A combinação de uma possível redução na produção interna e a necessidade de importação pode tornar a oferta mais escassa. Assim, a distribuição das compras ao longo do tempo é uma estratégia eficaz para mitigar a volatilidade dos preços.
O mercado de trigo no Sul do Brasil está em um momento de transição, com desafios e oportunidades à vista. A atenção às margens e a qualidade do produto serão fundamentais para produtores, cooperativas e indústrias nos próximos meses.
- Rio Grande do Sul: baixa liquidez e preços próximos de R$ 1.350/t FOB.
- Paraná: preços da nova safra firmes, mas preocupações com chuvas.
- Santa Catarina: moinhos abastecidos, mas dependentes de trigo gaúcho.
- Nova safra brasileira: estimativa de 5,81 milhões de toneladas.
- Trigo de qualidade: tendência de maior diferenciação de preços.
- Mercado internacional: fatores geopolíticos e climáticos em destaque.
- Chicago: referência de 665 cents/bushel para monitorar preços.
- Comercialização: estratégia escalonada recomendada para produtores.











