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Mercado de trigo no Sul enfrenta baixa liquidez e preços sustentados por estoques

O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta um cenário de baixa liquidez e moinhos abastecidos, com preços sustentados pela necessidade de reposição de estoques.

Mercado de trigo no Sul enfrenta baixa liquidez e preços sustentados por estoques

Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta um cenário de baixa liquidez e moinhos abastecidos, com preços sustentados pela necessidade de reposição de estoques. A incerteza climática e a comercialização limitada da nova safra também impactam o setor.

Atualmente, o mercado de trigo na Região Sul do Brasil opera com lentidão, refletindo a combinação de baixa liquidez e moinhos bem abastecidos. Apesar da redução nas negociações, os preços se mantêm firmes devido à necessidade de reposição de estoques e incertezas sobre a próxima safra.

Segundo dados da TF Agroeconômica, as indústrias de trigo no Rio Grande do Sul estão abastecidas até meados de setembro. Para garantir o fornecimento até novembro, os moinhos devem voltar ao mercado nas próximas semanas, o que pode limitar quedas nos preços.

Trigo no Rio Grande do Sul mantém preços firmes

No estado gaúcho, o trigo destinado à retirada em agosto e pagamento em setembro foi negociado, em média, a R$ 1.300 por tonelada. O trigo melhorador, por sua vez, alcançou R$ 1.350 por tonelada, enquanto o cereal de melhor qualidade foi vendido a R$ 1.460 por tonelada nas entregas CIF aos moinhos.

Outro ponto de destaque foi a valorização do trigo argentino nacionalizado, que subiu 6,2%, atingindo US$ 292 por tonelada em Canoas (RS). Além disso, a presença de elevados índices de DON (deoxinivalenol) na oferta interna gera preocupação entre os compradores, afetando a seleção do produto.

Comercialização da nova safra segue abaixo do esperado

A comercialização antecipada da safra 2026/27 no Rio Grande do Sul ainda é bastante limitada. Até agora, cerca de 60 mil toneladas foram negociadas, volume que representa menos da metade do registrado no mesmo período do ano passado. A cautela dos vendedores está ligada às incertezas climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño.

No porto, as indicações para embarques em dezembro permanecem em torno de R$ 1.250 por tonelada, refletindo a falta de movimentação no mercado.

Santa Catarina enfrenta baixa moagem e mercado sem reação

Em Santa Catarina, o cenário é semelhante, com pouca movimentação no mercado. A baixa demanda por moagem e a reduzida rentabilidade da indústria de farinha limitam novos negócios. Os preços do trigo para panificação variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio da nova safra avança lentamente.

Paraná registra preços mais elevados, mas negócios continuam restritos

No Paraná, as negociações para trigo disponível chegaram a R$ 1.450 por tonelada CIF moinho, em Curitiba. Na região Norte do estado, os preços oscilaram entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada, refletindo uma maior valorização do produto. No entanto, as referências para a nova safra ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, sem registros de negócios efetivos.

As projeções indicam que o Paraná poderá importar cerca de 1,5 milhão de toneladas de trigo em 2027, evidenciando a importância do cereal estrangeiro para complementar a oferta interna.

Perspectivas para o mercado de trigo

O cenário atual é marcado por baixa liquidez, mas com fundamentos que evitam quedas acentuadas nos preços. A necessidade de recomposição dos estoques pelos moinhos, a oferta restrita de trigo de melhor qualidade e as incertezas climáticas para a próxima safra devem continuar influenciando o mercado nas próximas semanas.

Enquanto os compradores aguardam melhores oportunidades de aquisição, os produtores permanecem cautelosos na comercialização, apostando em um ambiente de preços sustentados à medida que a demanda retome força.

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