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Mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta baixa liquidez e estoques abastecidos

O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta dificuldades, com baixa liquidez e moinhos abastecidos, enquanto produtores se preocupam com a próxima safra e os custos de produção.

Mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta baixa liquidez e estoques abastecidos

Previa: O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta dificuldades, com baixa liquidez e moinhos abastecidos, enquanto produtores se preocupam com a próxima safra e os custos de produção.

Atualmente, o setor de trigo na Região Sul do Brasil opera em um ritmo lento, com transações escassas e foco nas reposições pontuais de estoques por parte dos moinhos. A baixa liquidez é uma constante nos três principais estados produtores: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Tanto compradores quanto vendedores mantêm suas posições firmes, refletindo a incerteza em relação aos preços atuais.

Um levantamento da TF Agroeconômica aponta que a comercialização está limitada devido à demanda moderada e às margens apertadas da indústria moageira, além das expectativas em torno da nova safra. Essa situação gera um ambiente de cautela entre os agentes do mercado.

Rio Grande do Sul concentra atenções na safra 2025

No Rio Grande do Sul, os grandes moinhos já praticamente encerraram as compras para julho, voltando suas atenções para o planejamento das aquisições de agosto. As negociações que ainda ocorrem estão em torno de R$ 1.420 por tonelada entregue, com volumes bastante reduzidos.

Além da lentidão nas vendas, os produtores estão preocupados com a próxima safra, especialmente devido aos altos custos de produção e à possibilidade de condições climáticas adversas, como o fenômeno El Niño. A expectativa é de que a área destinada ao trigo possa ser reduzida em até 40%, conforme avaliação de cooperativas das regiões Central e Noroeste do estado.

Estimativas da Emater-RS indicam que a produção gaúcha pode alcançar cerca de 2,2 milhões de toneladas, um volume consideravelmente inferior ao da safra anterior, que variou entre 3,8 milhões e 4 milhões de toneladas. Se essa previsão se confirmar, o estado poderá enfrentar um déficit de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas, aumentando a necessidade de importações.

Santa Catarina registra compras pontuais

Os preços para trigo entregue no leste catarinense chegam a R$ 1.500 por tonelada CIF, refletindo os custos logísticos. A evolução das cotações enfrenta resistência devido à dificuldade da indústria em reajustar os preços das farinhas, limitando assim o espaço para valorização do grão.

Paraná mantém oferta reduzida e negociações limitadas

No Paraná, a oferta de trigo continua restrita, com negociações ocorrendo de forma pontual. Lotes foram negociados a R$ 1.450 por tonelada CIF no Sudoeste do estado, enquanto o trigo importado do Paraguai foi comercializado a cerca de R$ 1.570 por tonelada CIF em Curitiba.

O mercado permanece travado, com compradores relutantes em aceitar os preços pedidos pelos vendedores. Os produtores, por sua vez, mantêm suas expectativas de preços mais remuneradores. Para a nova safra, as negociações são praticamente inexistentes, com indicações para entregas entre agosto e setembro em torno de R$ 1.400 por tonelada CIF moinho.

Mercado segue atento ao comportamento da oferta

O cenário atual revela um mercado equilibrado entre uma oferta limitada e uma demanda cautelosa. Enquanto os moinhos trabalham com estoques relativamente confortáveis, os produtores avaliam o impacto dos custos de produção e das condições climáticas antes de decidirem sobre novos investimentos na próxima safra.

A definição da área efetivamente plantada, o comportamento climático durante o ciclo produtivo e a necessidade de importações serão fatores cruciais para a formação dos preços do trigo nos próximos meses. A atenção do mercado se volta para esses aspectos, que poderão influenciar diretamente a dinâmica do setor nos próximos períodos.

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