Prévia: O mercado de milho no Brasil enfrenta dificuldades de comercialização, enquanto os preços na Bolsa de Chicago se recuperam devido a fatores climáticos e geopolíticos. A colheita da safrinha e a cautela dos produtores impactam a liquidez do setor.
Atualmente, o mercado brasileiro de milho apresenta um ritmo lento de vendas, reflexo da cautela tanto de produtores quanto de compradores. A colheita da segunda safra avança, aumentando a expectativa de oferta, o que limita a realização de novos negócios no mercado físico. Em contraste, os preços na Bolsa de Chicago (CBOT) estão em alta, impulsionados por preocupações climáticas nos Estados Unidos e tensões no Oriente Médio, que também afetam o mercado de petróleo.
Liquidez reduzida no mercado físico
Analistas apontam que a comercialização de milho continua restrita em diversas regiões produtoras. A chegada gradual da safrinha aumenta a oferta, pressionando os preços, mas muitos produtores optam por esperar por melhores oportunidades antes de vender. No Mato Grosso, a movimentação comercial é mais intensa, enquanto em outras áreas as negociações são pontuais, focadas na reposição imediata.
As principais referências de preços no mercado físico incluem:
- Porto de Santos (CIF): R$ 66,00 a R$ 69,00/saca;
- Porto de Paranaguá: R$ 65,00 a R$ 68,00/saca;
- Cascavel (PR): R$ 56,00 a R$ 59,00/saca;
- Mogiana (SP): R$ 59,00 a R$ 60,00/saca;
- Campinas (SP – CIF): R$ 66,00 a R$ 67,00/saca;
- Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,00/saca;
- Uberlândia (MG): R$ 58,00 a R$ 60,00/saca;
- Rio Verde (GO – CIF): R$ 54,00 a R$ 55,00/saca;
- Rondonópolis (MT): R$ 54,00 a R$ 56,00/saca.
Ajustes na B3 e perspectivas futuras
Enquanto o mercado físico enfrenta dificuldades, os contratos futuros de milho na B3 encerraram a sessão com leves perdas, resultado de ajustes técnicos e da expectativa de maior alinhamento entre os preços futuros e os indicadores do mercado disponível. A TF Agroeconômica destaca que a diferença entre a média do Cepea e os contratos futuros, juntamente com o comportamento do câmbio, contribuiu para esse movimento corretivo.
Os principais vencimentos fecharam em:
- Setembro/2026: R$ 69,17 por saca (-R$ 0,26 no dia);
- Novembro/2026: R$ 73,47 (-R$ 0,11);
- Janeiro/2027: R$ 75,73 (-R$ 0,19).
Apesar das perdas diárias, todos os contratos acumulam valorização na comparação semanal, e o mercado observa oportunidades para aumentar as exportações brasileiras, especialmente devido ao calor intenso na Europa e às dificuldades logísticas na Ucrânia.
Influência da colheita e clima nos preços
A colheita da safrinha é um fator crucial que pressiona os preços internos. No Paraná, cerca de 16% da área já foi colhida, mas o excesso de umidade ainda atrasa as operações. Em Mato Grosso do Sul, aproximadamente 17% da safra foi colhida, com a demanda da indústria de etanol ajudando a absorver parte da produção.
No Rio Grande do Sul, a oferta é limitada pela cautela dos produtores, enquanto a demanda da pecuária sustenta algumas transações. Em Santa Catarina, a diferença entre os preços pedidos e as ofertas dificulta novas negociações.
Mercado internacional e fatores de alta
No cenário internacional, os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago estão em alta, com o vencimento de dezembro sendo negociado a cerca de US$ 4,81 por bushel, um aumento superior a 1%. Esse movimento é impulsionado por previsões de temperaturas elevadas e chuvas irregulares no Meio-Oeste americano, além da valorização do petróleo, que é afetada pelas tensões no Oriente Médio.
Embora os preços estejam subindo, o mercado permanece limitado pelas boas condições das lavouras nos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que 67% das áreas cultivadas estão em boas condições, ligeiramente abaixo da semana anterior.
O cenário cambial também impacta a formação dos preços no Brasil, com o dólar comercial operando próximo de R$ 5,08, enquanto o petróleo WTI se mantém acima de US$ 87 por barril, reforçando o suporte aos mercados de grãos.
Os analistas projetam que o mercado brasileiro de milho continuará com baixa liquidez nos próximos dias. O avanço da colheita da safrinha deve aumentar a oferta, mas a cautela dos produtores e a demanda estável ainda limitarão movimentos significativos de queda nos preços. No mercado externo, o clima nos Estados Unidos será o principal fator a ser monitorado, podendo influenciar novas altas nas cotações caso as previsões se confirmem.











