Previa: O mercado de milho no Brasil enfrenta desafios com a colheita da safrinha, resultando em baixa liquidez e preços pressionados. A influência das condições climáticas e do cenário internacional também impacta as negociações.
O início da semana trouxe um panorama desafiador para o mercado brasileiro de milho, caracterizado por uma baixa liquidez. A intensificação da colheita da segunda safra está pressionando os preços, o que leva compradores a adotarem uma postura cautelosa. Com a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas, muitos produtores estão avaliando o melhor momento para realizar suas vendas.
Além do cenário interno, o mercado externo também exerce influência significativa sobre os preços. Após uma valorização expressiva, a Bolsa de Chicago registrou uma nova queda, impulsionada pela melhora nas condições das lavouras de milho nos Estados Unidos. Simultaneamente, a desvalorização do dólar frente ao real diminui a competitividade das exportações brasileiras.
Avanço da colheita e suas implicações
De acordo com a análise da Safras & Mercado, o avanço da colheita da safrinha é o principal fator que pressiona o mercado. A previsão de tempo seco nas regiões produtoras deve acelerar os trabalhos de campo, aumentando a disponibilidade do cereal. Com a entrada de maiores volumes no mercado, as cotações tendem a se acomodar, especialmente nas áreas onde a colheita está mais avançada.
Entretanto, a liquidez permanece limitada. Compradores estão abastecidos no curto prazo e realizam aquisições apenas para reposição imediata. Por outro lado, muitos produtores estão reticentes, aguardando melhores oportunidades para vender suas safras.
Preços e negociações no mercado físico
No mercado físico, os preços estão se mantendo estáveis ou apresentando leves quedas. Nos portos, as cotações variam entre R$ 66,00 e R$ 69,00 por saca no Porto de Santos, enquanto em Paranaguá os preços ficam entre R$ 65,50 e R$ 68,00. Entre os estados produtores, os valores também mostram variações significativas, refletindo a dinâmica local de oferta e demanda.
Em estados como Paraná e Mato Grosso do Sul, o ritmo da colheita ainda está atrasado, o que limita a disponibilidade física em algumas regiões. No Paraná, apenas 10% da área foi colhida até o momento, enquanto em Mato Grosso do Sul esse percentual é de apenas 4%. Essa situação pode evitar quedas mais acentuadas nos preços.
Expectativas e tendências futuras
Enquanto o mercado físico apresenta cautela, os contratos futuros na B3 mantêm preços sustentados, impulsionados pelo cenário internacional e pelas expectativas de oferta. Os principais vencimentos estão sendo negociados em níveis que refletem a combinação de menor disponibilidade imediata e um ritmo lento da colheita em algumas regiões.
As exportações de milho, por sua vez, continuam abaixo do ritmo do ano anterior. Nos primeiros dias de julho, o Brasil exportou cerca de 519,7 mil toneladas, uma queda de 38,6% em relação ao mesmo período de 2025. A menor competitividade dos preços brasileiros no mercado internacional faz com que muitos produtores priorizem a soja.
Com a colheita da safrinha avançando e as condições climáticas favoráveis, a pressão sobre os preços deve aumentar. Oscilações em Chicago, as movimentações do dólar e o desempenho das exportações continuarão a influenciar as cotações, especialmente na B3. O cenário sugere que o mercado de milho deve seguir com baixa liquidez e negociações pontuais no curto prazo.











