Previa: A cafeicultura brasileira alcançou um novo marco, com investimentos em defensivos agrícolas atingindo R$ 3,3 bilhões na safra 2025/26, um crescimento significativo em relação ao ano anterior. Esse aumento reflete a evolução no manejo fitossanitário e na adoção de tecnologias no setor.
A safra 2025/26 da cafeicultura no Brasil foi marcada por um recorde histórico em investimentos em defensivos agrícolas, totalizando R$ 3,3 bilhões. Esse valor representa um aumento de 22% em comparação aos R$ 2,67 bilhões da safra anterior, conforme levantamento da consultoria Kynetec Brasil. O crescimento é um indicativo do fortalecimento das práticas de manejo fitossanitário nas principais regiões produtoras do país.
O aumento nos investimentos é atribuído à expansão da área cultivada, que cresceu 4%, alcançando 2,186 milhões de hectares. Além disso, houve um incremento no número de aplicações de defensivos, que passou de 16,9 para 19,8 por área, refletindo uma maior preocupação dos cafeicultores com a proteção das lavouras.
Crescimento em Tecnologia e Manejo Fitossanitário
Os dados da pesquisa mostram que todos os indicadores relacionados ao manejo fitossanitário apresentaram crescimento. A Área Potencial Tratada (PAT) subiu para 42,8 milhões de hectares, um aumento de 22% em relação à safra anterior. Esse cenário evidencia a evolução tecnológica na cafeicultura brasileira, segundo Felipe Abelha, especialista da Kynetec.
Os fungicidas continuam sendo a principal categoria de defensivos utilizados, movimentando R$ 973 milhões, o que representa 29% do mercado total. Este segmento cresceu 25% em relação à safra anterior, com destaque para os fungicidas premium, cuja participação aumentou de 21% para 38% entre as tecnologias utilizadas.
Os inseticidas, por sua vez, registraram o maior crescimento em termos financeiros, movimentando R$ 760 milhões, um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Esse crescimento é impulsionado pelo manejo das principais pragas da cafeicultura, como a broca-do-café e o bicho-mineiro.
Desafios e Oportunidades no Controle de Pragas
A pesquisa indica que o controle da broca-do-café teve um crescimento expressivo, com a adoção de inseticidas aumentando de 43% para 53%. O mercado destinado ao controle dessa praga movimentou aproximadamente R$ 350 milhões, um aumento de 38% em relação à safra anterior. O bicho-mineiro também apresentou crescimento significativo, com investimentos subindo de R$ 264 milhões para cerca de R$ 345 milhões.
Além dos fungicidas e inseticidas, outras categorias de defensivos também mostraram crescimento. Os herbicidas alcançaram R$ 627 milhões, com um aumento de 22%, enquanto os produtos aplicados via solo movimentaram R$ 626 milhões, um crescimento de 8%. Os nematicidas foram os que mais cresceram em termos percentuais, com um aumento de 51%.
O levantamento da Kynetec foi realizado com mais de 1.110 entrevistas com produtores das principais regiões cafeeiras do Brasil, incluindo Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Paraná. Os dados refletem a crescente profissionalização do setor e a intensificação dos investimentos em tecnologias de manejo, visando proteger a produtividade e aumentar a eficiência das lavouras diante dos desafios climáticos e fitossanitários.











