Previa: O mercado de algodão no Brasil apresenta negociações moderadas, enquanto a Conab projeta uma safra superior a 4 milhões de toneladas. A comercialização avança no Mato Grosso, refletindo a confiança dos produtores na demanda pela fibra.
O cenário atual do mercado brasileiro de algodão é marcado por negociações cautelosas entre compradores e vendedores. Apesar de uma leve recuperação nas cotações no último pregão, os preços domésticos apresentaram desvalorização ao longo da semana, ficando abaixo das cotações na Bolsa de Nova York.
Os fundamentos de longo prazo, no entanto, permanecem otimistas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de algodão em pluma para a temporada 2025/26 será superior a 4 milhões de toneladas. Em Mato Grosso, os produtores estão acelerando a comercialização antecipada, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Mercado físico do algodão registra baixa movimentação
De acordo com a Safras Consultoria, a liquidez no mercado disponível foi baixa durante a maior parte da semana, com uma leve melhora apenas na quinta-feira (17). Em São Paulo, a indústria ofereceu R$ 4,10 por libra-peso, um aumento de 0,74% em relação ao dia anterior, mas com uma queda de 0,24% na comparação semanal.
No polo produtor de Rondonópolis (MT), a pluma foi negociada a R$ 130,70 por arroba, o que equivale a aproximadamente R$ 3,95 por libra-peso. Embora tenha havido uma valorização diária, as cotações se mantiveram estáveis ao longo da semana, refletindo a cautela dos agentes do mercado.
Conab estima produção acima de 4 milhões de toneladas
O 10º levantamento da safra 2025/26 da Conab indica uma produção de 4,059 milhões de toneladas de algodão em pluma, ligeiramente inferior às 4,081 milhões de toneladas da temporada anterior. Apesar da pequena redução, a produtividade média deve aumentar, alcançando 2.011 quilos por hectare, superando os 1.957 quilos por hectare da safra anterior.
A área cultivada, no entanto, deverá sofrer uma retração de 3,2%, passando de 2,085 milhões para 2,018 milhões de hectares, o que contribui para a leve queda na produção nacional.
Mato Grosso segue líder absoluto na produção
Mato Grosso continua sendo o principal produtor de algodão do Brasil, com previsão de colher cerca de 2,8 milhões de toneladas na safra 2025/26. Apesar de manter a liderança, o estado deve enfrentar uma redução de aproximadamente 1,8% em relação à temporada passada.
Por outro lado, a Bahia, que ocupa a segunda posição, deve registrar um crescimento na produção, com expectativa de alcançar 862,2 mil toneladas, um aumento de cerca de 2% em relação à safra anterior. Goiás também apresenta uma trajetória de expansão, prevendo uma produção de 54,5 mil toneladas, ligeiramente superior ao volume do ciclo anterior.
Comercialização da safra avança em Mato Grosso
Os produtores de Mato Grosso estão antecipando as vendas da nova safra. Até 13 de julho, a comercialização da safra 2025/26 alcançou 73,01% da produção estimada, superando os 71,87% do levantamento anterior e os 65,04% do mesmo período do ano passado.
Além disso, as vendas antecipadas para a safra 2026/27 também estão em alta, com 29,35% da produção já comercializada, em comparação a 23,21% em junho e 21,05% no mesmo período do ciclo anterior. Essa tendência demonstra a confiança dos produtores na demanda pela fibra e uma estratégia comercial voltada para a mitigação de riscos.
Perspectivas para o mercado de algodão
O mercado de algodão no Brasil se mantém sustentado por fundamentos positivos, mesmo com a acomodação das cotações no curto prazo. O aumento esperado na produtividade, aliado ao elevado nível de comercialização antecipada, reflete uma organização robusta da cadeia produtiva e a confiança dos produtores.
Nos próximos meses, a evolução dos preços deverá ser influenciada pela demanda internacional, pelas oscilações da Bolsa de Nova York, pelo câmbio e pelo ritmo das exportações brasileiras, fatores que continuam a ser monitorados pelos agentes do setor.











