Previa: Mato Grosso se prepara para uma safra recorde de milho, com projeções que superam 57 milhões de toneladas. O estado reafirma sua posição como o maior produtor nacional do grão.
Mato Grosso está prestes a alcançar mais um marco histórico na produção de milho. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revisou suas estimativas para a safra 2025/26, elevando a projeção para 57,06 milhões de toneladas. Esse número não apenas supera as previsões anteriores, mas também a estimativa de 55 milhões de toneladas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Se confirmada, essa produção representará um aumento significativo em relação à safra anterior e reafirmará a tendência de que a segunda safra de milho, conhecida como safrinha, ultrapasse a produção de soja no estado. Essa mudança reflete um cenário crescente de diversificação e eficiência no agronegócio mato-grossense.
Produtividade em Alta
A revisão das estimativas é fruto do projeto Imea em Campo, realizado em parceria com a Aprosoja Mato Grosso e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro-MT). Durante 64 dias, equipes técnicas percorreram 30.829 quilômetros e realizaram 833 avaliações em 82 municípios, cobrindo 96,4% da área cultivada com milho de segunda safra no estado.
Os dados coletados indicam um aumento na produtividade média, que agora é de 128,64 sacas por hectare, um crescimento de 6,95% em relação à estimativa inicial. A área cultivada se manteve em 7,39 milhões de hectares, com uma expansão de 1,83% em comparação ao ciclo anterior.
Além disso, a qualidade das lavouras surpreendeu os técnicos, que esperavam uma produtividade em torno de 120 sacas por hectare. As avaliações revelaram lavouras com maior número de espigas e melhor enchimento de grãos, o que contribuiu para a revisão positiva das estimativas.
Desafios e Oportunidades no Campo
O levantamento também destacou as diferenças regionais na produção. O excesso de chuvas no início do ciclo atrasou o plantio em algumas áreas, especialmente no Sudeste mato-grossense. Enquanto o Médio-Norte apresentou as melhores lavouras, o Centro-Sul enfrentou desafios significativos.
Apesar das dificuldades, o cenário fitossanitário se mostrou favorável, com menores incidências de pragas nas regiões Nordeste e Médio-Norte. Contudo, o Centro-Sul e Sudeste enfrentaram maior pressão, com a presença de pragas como Leptoglossus e Spodoptera spp.
O desempenho das espigas também foi um ponto positivo, com uma média de 54,4 mil espigas por hectare. O número de grãos por espiga e o peso dos grãos aumentaram, reforçando o potencial produtivo das lavouras mato-grossenses.
Comercialização e Custos de Produção
Até julho, 51,41% da produção estimada já havia sido negociada, com um preço médio de R$ 43,10 por saca. Para a safra 2026/27, as vendas antecipadas atingem 7,90% da produção prevista, com um preço médio de R$ 44,76 por saca. Isso indica que os produtores estão se preparando para o próximo ciclo.
Entretanto, os custos de produção continuam a ser um desafio. O custo total da safra 2026/27 deve alcançar R$ 7.418,49 por hectare, um aumento de 10,30% em relação ao ciclo anterior. O custeio operacional também deve crescer, o que pode impactar a rentabilidade dos produtores.
Com um cenário de aumento de produtividade e desafios nos custos, Mato Grosso se consolida como um protagonista no agronegócio brasileiro. As informações do Imea são essenciais para o planejamento do setor, reforçando a importância do estado como um dos maiores fornecedores de milho tanto para o mercado interno quanto para o externo.











