Previa: O Marrocos suspendeu tarifas de importação para diversas carnes, criando novas oportunidades para o Brasil até 2026. A medida visa aumentar a oferta interna de proteínas animais em um cenário de redução do rebanho local.
O Marrocos anunciou a suspensão temporária das tarifas de importação sobre carnes bovina, ovina, caprina e camelídea, além de ovinos vivos. A medida, que estará em vigor até 31 de dezembro de 2026, representa uma oportunidade significativa para os exportadores brasileiros, especialmente em um mercado que busca reforçar seu abastecimento interno de carnes vermelhas.
A decisão foi formalizada pelo Governo do Reino do Marrocos através do Decreto nº 2.26.584 e da Circular nº 6762/211, publicada pela Administração das Alfândegas e Impostos Indiretos. A suspensão, que entrou em vigor em 27 de julho de 2026, abrange produtos de todos os países fornecedores, o que deve aumentar a competitividade da carne brasileira no mercado marroquino.
Desafios do Marrocos e a Necessidade de Aumento na Oferta de Carnes
O governo marroquino justificou a suspensão das tarifas como uma estratégia para aumentar a disponibilidade interna de carnes vermelhas e mitigar os impactos sobre o abastecimento. Um censo pecuário realizado em 2025 revelou uma redução de aproximadamente 30% no rebanho bovino do país, resultado de períodos prolongados de seca e do aumento dos custos de alimentação animal.
Com a produção interna em declínio, o Marrocos tem buscado fornecedores internacionais, o que abre espaço para países como o Brasil, que possuem uma capacidade exportadora robusta. Essa nova realidade pode beneficiar tanto os produtores brasileiros quanto o mercado marroquino, que enfrenta desafios para atender à demanda interna.
Expansão das Exportações Brasileiras de Bovinos Vivos
A relação comercial entre Brasil e Marrocos já demonstra um crescimento significativo, especialmente no segmento de bovinos vivos destinados ao abate. Desde o final de 2022, os bovinos brasileiros importados pelo Marrocos estão isentos de tarifas dentro de limites anuais estabelecidos pelo governo local, com um teto de 300 mil cabeças para 2026.
Os números refletem um avanço expressivo: em 2025, as exportações brasileiras de bovinos vivos para o Marrocos somaram US$ 213,5 milhões, um aumento considerável em relação aos US$ 41 milhões registrados em 2024. O Brasil já representa 46,7% das importações marroquinas desse tipo de produto, consolidando-se como um dos principais fornecedores do país africano.
Oportunidades para Carnes Brasileiras no Mercado Marroquino
Além dos bovinos vivos, a nova medida também beneficia as exportações de carnes bovina, ovina, caprina e camelídea, que poderão entrar no mercado marroquino sem a cobrança de tarifas até o final de 2026. Essa abertura representa uma oportunidade estratégica para o Brasil, que busca ampliar sua presença em um mercado com crescente demanda por proteína animal.
Embora a suspensão das tarifas seja ampla, as miudezas de animais das espécies mencionadas ainda estarão sujeitas a uma tarifa de importação de 30%. Essa exceção destaca a necessidade de atenção às especificidades do comércio internacional.
Vantagens Competitivas para o Brasil no Setor de Proteínas
A abertura comercial do Marrocos ocorre em um momento favorável para o setor pecuário brasileiro, que tem visto uma expansão nas exportações de carne bovina e um reconhecimento crescente da qualidade de sua produção. A redução das barreiras tarifárias oferece uma oportunidade adicional para frigoríficos e produtores brasileiros diversificarem seus mercados e fortalecerem sua posição no cenário global.
A expectativa é que essa medida não apenas aumente os fluxos comerciais entre Brasil e Marrocos, mas também consolide o país africano como um parceiro estratégico importante para o agronegócio brasileiro, promovendo um intercâmbio que beneficia ambos os lados.











