Previa: O mercado de mandioca no Brasil enfrenta uma oferta restrita, resultando em preços elevados e uma queda na produção de derivados. As condições climáticas e o estágio das lavouras impactam diretamente a indústria.
O cenário atual do mercado de mandioca no Brasil é marcado por uma oferta limitada, o que tem impulsionado os preços da raiz. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação de menor volume de matéria-prima, queda no teor de amido e dificuldades nas atividades de campo tem afetado o rendimento industrial e sustentado a valorização da cultura.
A escassez de oferta é o principal fator que mantém os preços elevados. Muitos produtores estão focados no plantio da nova safra, enquanto outros adiam a comercialização das raízes mais jovens, seja pela expectativa de baixa rentabilidade ou pela falta de áreas disponíveis para colheita.
Recentemente, chuvas pontuais dificultaram o avanço das operações no campo, o que impactou o ritmo de colheita e as entregas às indústrias processadoras. Essa situação agrava ainda mais a restrição de oferta, levando a um aumento nos preços.
Queda no teor de amido e suas consequências
Outro aspecto preocupante é a redução no teor de amido das raízes comercializadas. Pesquisadores do Cepea apontam que essa diminuição pode estar relacionada ao estágio do ciclo vegetativo das plantas, às variedades disponíveis e às condições climáticas nas principais regiões produtoras. Um menor teor de amido compromete o aproveitamento industrial da mandioca, resultando em uma produção reduzida de fécula, polvilho e outros derivados.
Esse cenário limita a capacidade operacional das indústrias e diminui a oferta de produtos no mercado, mantendo o setor em alerta diante da escassez de matéria-prima de qualidade. A situação exige atenção, pois a demanda por derivados de mandioca continua consistente.
Expectativas para a nova safra
Os levantamentos do Cepea indicam que a maioria dos produtores pretende concluir o plantio da nova safra até meados de agosto. Após esse período, espera-se uma redução nas chuvas em várias regiões produtoras, o que pode facilitar a colheita e melhorar o fluxo de entregas às fecularias.
No entanto, especialistas alertam que uma recuperação significativa da oferta dependerá das condições climáticas e do desenvolvimento das novas lavouras. A previsão é de que o mercado continue com oferta limitada, mantendo os preços elevados e a disponibilidade de derivados restrita.
O comportamento do clima nas próximas semanas será crucial para definir o ritmo da colheita e a normalização do abastecimento industrial. O setor permanece atento a essa situação, uma vez que a demanda pela matéria-prima continua forte e a recuperação da oferta ainda depende da efetiva entrada das novas áreas em produção.











