Prévia: O Índice de Preços ao Produtor (IPP) apresentou uma queda de 0,77% em junho de 2026, mas ainda acumula um crescimento significativo no primeiro semestre. O desempenho dos setores industriais revela um cenário misto, com destaque para a indústria química e de petróleo.
O Índice de Preços ao Produtor, divulgado pelo IBGE, registrou uma retração de 0,77% em junho de 2026 em comparação a maio. Essa queda interrompe uma sequência de altas observadas ao longo do ano, mas o acumulado no primeiro semestre ainda é positivo, com um crescimento de 3,99%, o quarto maior resultado para um mês de junho desde 2014.
O IPP mede a variação dos preços dos produtos na saída das fábricas, excluindo impostos e fretes. Esse indicador é crucial para monitorar a evolução dos custos na produção industrial brasileira, abrangendo tanto indústrias extrativas quanto de transformação.
Setores com queda de preços
Entre os 24 setores analisados, apenas seis apresentaram redução nos preços em junho. As indústrias extrativas lideraram a queda, com uma variação negativa de 11,85%. Outros segmentos que também registraram recuo foram:
- Outros produtos químicos: -2,74%
- Refino de petróleo e biocombustíveis: -2,30%
Por outro lado, o setor de móveis se destacou com um aumento de 2,08%, mostrando que nem todos os segmentos enfrentaram dificuldades no período.
Impacto das indústrias extrativas
A atividade das indústrias extrativas foi a principal responsável pela influência negativa no IPP, contribuindo com -0,56 ponto percentual para a variação total. Outros setores que impactaram o resultado foram:
- Outros produtos químicos: -0,24 ponto percentual
- Refino de petróleo e biocombustíveis: -0,23 ponto percentual
- Minerais não metálicos: -0,04 ponto percentual
Esses dados evidenciam a relevância das indústrias extrativas no cenário econômico e seu impacto direto sobre os preços industriais.
Acumulado de 2026 e comparação anual
Apesar da queda em junho, o IPP acumula uma alta de 3,99% em 2026, desempenho que supera o registrado no mesmo período de 2025, quando houve uma queda de 3,13%. Os setores que mais se destacaram no acumulado do ano incluem:
- Outros produtos químicos: 17,05%
- Borracha e plástico: 15,07%
- Impressão: 5,91%
- Refino de petróleo e biocombustíveis: 5,78%
As contribuições positivas para o índice geral vieram principalmente dos produtos químicos e da borracha, refletindo um desempenho robusto em alguns segmentos.
Inflação ao produtor e suas implicações
Em termos de inflação, o IPP acumulou um avanço de 2,51% em 12 meses até junho de 2026, uma aceleração em relação aos 2,00% registrados até maio. Os maiores aumentos de preços nesse período foram observados em:
- Borracha e plástico: 15,22%
- Impressão: 14,53%
- Outros produtos químicos: 8,88%
- Móveis: 7,68%
Esses dados são fundamentais para entender as pressões inflacionárias sobre os custos de produção e como elas podem afetar o mercado.
O acompanhamento do IPP é essencial para os setores produtivos, pois antecipa movimentos dos custos industriais e seus possíveis reflexos nas cadeias do agronegócio, alimentos, combustíveis e fertilizantes. A combinação de quedas nas indústrias extrativas com o crescimento em setores como o químico e de refino ressalta a heterogeneidade da pressão sobre os preços industriais em 2026.











