Previa: Pesquisadores de instituições como a USP e a UFBA desenvolveram um simulador que permite explorar as probabilidades da Copa do Mundo de 2026, oferecendo uma nova forma de entender o futebol através da ciência.
A Copa do Mundo de 2026 promete ser um evento repleto de emoções, e agora, com a ajuda da ciência, os torcedores podem se tornar protagonistas de suas próprias análises. Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e outras instituições criou uma ferramenta inovadora que simula a competição, permitindo que os usuários explorem diferentes cenários e variáveis que influenciam os resultados das partidas.
O simulador, que já está disponível ao público, possibilita a recriação de milhares de Copas, permitindo que os usuários ajustem critérios e analisem como pequenas mudanças podem alterar as chances de cada seleção. Essa abordagem interativa não apenas torna a experiência mais envolvente, mas também educa os usuários sobre os modelos estatísticos que fundamentam as previsões no futebol.
Sua própria Copa do Mundo em poucos cliques
Desde 2010, o projeto Previsão Esportiva utiliza modelos matemáticos para calcular probabilidades no futebol. A grande novidade desta edição é a acessibilidade do algoritmo, que agora pode ser utilizado por qualquer pessoa interessada em entender melhor as dinâmicas do torneio. Os usuários podem alterar variáveis e acompanhar as mudanças nas probabilidades em tempo real, tornando a experiência educativa e divertida.
Além do simulador interativo, a plataforma oferece uma série de ferramentas adicionais, como estimativas de classificação e título para cada seleção, simulações de confrontos da fase de grupos e um bolão colaborativo que contribui para pesquisas acadêmicas. Essas funcionalidades visam não apenas entreter, mas também educar sobre a ciência por trás do futebol.
Quando a Copa vira sala de aula
Para Francisco Louzada Neto, professor do ICMC da USP, a ferramenta serve como um laboratório vivo de aprendizado. Ele destaca que o futebol, por ser um tema popular, facilita a compreensão de conceitos complexos, tornando-os mais acessíveis e intuitivos para os estudantes.
Na prática, a simulação ajuda a visualizar conceitos estatísticos que, muitas vezes, são considerados abstratos. Eventos independentes, probabilidade condicional e resultados inesperados, conhecidos como “zebras”, tornam-se mais fáceis de entender quando contextualizados em um ambiente familiar como o futebol.
O que o modelo prevê para a Copa de 2026
Antes do torneio, a equipe de pesquisadores realizou um milhão de simulações para prever os possíveis resultados da competição. Curiosamente, nenhum time se destacou como favorito absoluto, refletindo a imprevisibilidade do futebol. A seleção da Holanda, por exemplo, aparece como o adversário mais provável do Brasil nas oitavas de final em 31% dos cenários simulados.
As estimativas indicam que a Espanha lidera as chances de conquistar o título, com 15,9%, seguida pela França com 14,8%. O Brasil, por sua vez, apresenta 95% de probabilidade de classificação e 8,3% de chance de título, que aumenta para 55,6% se chegar à final.
Ricardo Rocha, professor da UFBA e coordenador do projeto, enfatiza a importância de aproximar a população das técnicas estatísticas desenvolvidas nas universidades. A plataforma não apenas oferece previsões para os amantes do futebol, mas também demonstra como a ciência pode elucidar um dos torneios mais imprevisíveis do mundo.











