A Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, projeta que o Brasil poderá atrair até US$ 92 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos, impulsionados pela sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). A medida visa fortalecer a infraestrutura de data centers no país, promovendo a computação em nuvem e a inteligência artificial, além de reduzir a dependência de soluções estrangeiras.
De acordo com a Brasscom, a criação do Redata é um passo crucial para expandir a infraestrutura nacional, o que pode ter um impacto positivo em diversos setores, incluindo telecomunicações, energia, software e startups. A associação destaca que, em 2025, o Brasil enfrentou um déficit de quase US$ 8 bilhões na balança comercial de Serviços de Computação e Informação, que aumentou para US$ 4,8 bilhões no primeiro semestre de 2026. A ampliação da infraestrutura local é vista como uma estratégia para reverter esse cenário desfavorável.
A Brasscom também relaciona a implementação do Redata à redução do custo de acesso à tecnologia e à promoção da inclusão digital, enfatizando a importância de requisitos de eficiência energética, uso sustentável de água e investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).
Demandas por Medidas Complementares
Apesar de celebrar a sanção do Redata, a Brasscom alerta que a atração de investimentos dependerá da adoção de medidas complementares. A principal solicitação é a aprovação de um convênio pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que permita a redução do ICMS sobre a aquisição de equipamentos para data centers. A entidade aponta que os tributos federais abrangidos pelo Redata representam cerca de um terço da carga tributária sobre equipamentos de tecnologia, enquanto os outros dois terços correspondem ao ICMS. A falta de adesão coordenada dos estados pode limitar os benefícios do regime.
Além disso, a Brasscom defende a revisão da recente elevação das alíquotas do Imposto de Importação para bens de capital e equipamentos de tecnologia. A associação argumenta que essa medida, implementada pelo Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), pode encarecer equipamentos essenciais para a infraestrutura de data centers, especialmente aqueles que não têm produção nacional equivalente.
Impactos e Perspectivas Futuras
A sanção do Redata é vista pela Brasscom como uma mudança significativa na posição do Brasil na competição global por investimentos em infraestrutura digital. No entanto, a associação enfatiza que a eficácia dessa estratégia dependerá da coordenação entre a União e os estados, além da revisão de barreiras tarifárias que possam dificultar a entrada de novos investimentos.
Com a expectativa de que a infraestrutura digital se expanda, a Brasscom acredita que o Brasil poderá não apenas melhorar sua balança comercial na área de serviços de computação e informação, mas também se tornar um polo atrativo para empresas de tecnologia que buscam estabelecer operações na América Latina. A implementação bem-sucedida do Redata e das medidas complementares solicitadas será crucial para alcançar esses objetivos e garantir um ambiente favorável ao crescimento do setor de tecnologia no país.











