Previa: O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou deflação de 0,79% em junho, influenciado pela queda nos preços das commodities agrícolas e minerais. Este movimento reflete um cenário de acomodação de preços no atacado e pode impactar os custos de produção no agronegócio.
O IGP-DI, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou uma deflação de 0,79% em junho, revertendo a alta de 0,87% observada em maio. Apesar dessa queda, o índice acumula uma alta de 3,00% no ano de 2026 e 3,59% nos últimos 12 meses, indicando uma volatilidade nos preços que merece atenção.
A principal causa da deflação foi a redução nos preços das commodities agrícolas e minerais, que pressionaram para baixo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), o componente mais significativo do IGP-DI. O IPA, por sua vez, teve uma queda de 1,36% em junho, contrastando com a alta de 0,95% do mês anterior.
Impacto das Commodities na Cadeia Produtiva
Conforme dados da FGV, a deflação foi impulsionada por uma retração de 3,19% nas matérias-primas brutas, que anteriormente apresentavam uma alta de 1,10%. Essa mudança reflete a dinâmica dos preços das commodities no mercado, que impacta diretamente a produção rural.
Além disso, outros segmentos da cadeia produtiva também mostraram desaceleração. Os bens finais apresentaram uma leve queda de 0,05%, após um aumento de 0,91% em maio. Já os bens intermediários tiveram uma leve alta de 0,02%, bem abaixo dos 0,77% registrados no mês anterior.
Matheus Dias, economista do FGV IBRE, enfatiza que o desempenho do IPA foi crucial para o resultado geral do IGP-DI. Ele observa que todos os componentes do índice apresentaram taxas inferiores às de maio, com destaque para a influência das commodities minerais e agrícolas.
Desaceleração da Inflação ao Consumidor
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também apresentou uma desaceleração, avançando 0,36% em junho, em comparação com 0,60% em maio. Essa perda de intensidade foi especialmente notável em grupos que têm um peso significativo na cesta de consumo das famílias, como alimentação e habitação.
O grupo de alimentação, por exemplo, passou de 1,29% para 0,47%, enquanto o de habitação caiu de 1,18% para 0,37%. Outros grupos, como vestuário e despesas diversas, também apresentaram desaceleração, indicando uma tendência de alívio nas pressões inflacionárias.
Por outro lado, alguns segmentos, como transportes e saúde, mostraram aceleração nos preços, o que pode indicar um comportamento misto na economia. O Núcleo do IPC, que elimina oscilações extremas, também desacelerou, reforçando a percepção de que as pressões inflacionárias estão diminuindo.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou uma alta de 0,78% em junho, mas com uma desaceleração em relação ao mês anterior. Essa tendência pode afetar o setor da construção civil, que é um dos pilares da economia nacional.
Em suma, a deflação do IGP-DI em junho reflete um cenário de acomodação dos preços no atacado, impulsionado pela queda das commodities. Para o agronegócio, essa situação pode significar uma redução das pressões sobre os custos de produção, embora fatores como preços internacionais e demanda global continuem a ser determinantes para a evolução dos índices nos próximos meses.











