Prévia: A presença da inteligência artificial nas salas de aula levanta questões sobre seu impacto no aprendizado. Especialistas alertam que, embora a tecnologia possa ser uma aliada, sua utilização indiscriminada pode comprometer o desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos.
A inteligência artificial já se tornou parte da rotina escolar, com ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude sendo utilizadas por estudantes para diversas atividades. No entanto, a adoção dessa tecnologia traz à tona um debate crucial: até que ponto a IA pode substituir o papel dos professores na educação?
Nos Estados Unidos, a Alpha School tem chamado a atenção ao substituir professores por programas digitais, oferecendo um currículo adaptado às necessidades individuais dos alunos. Essa abordagem, que promete uma carga horária reduzida em disciplinas básicas, levanta preocupações sobre a eficácia do aprendizado e a importância da interação humana no processo educativo.
A Unesco, por meio de sua especialista em Tecnologia e Inteligência Artificial na Educação, Shafika Isaacs, defende que a IA deve ser uma ferramenta de apoio, e não um substituto da experiência humana. Para ela, a educação é uma vivência social e cultural que não pode ser totalmente mediada por máquinas.
Alunos que usaram ChatGPT aprenderam menos
No Brasil, o professor André Barcaui, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), conduziu um estudo que analisou a retenção de conhecimento entre alunos que utilizaram IA e aqueles que estudaram por métodos tradicionais. Os resultados mostraram que os estudantes que usaram o ChatGPT tiveram um desempenho inferior em um teste aplicado 45 dias após a atividade acadêmica.
Os alunos que não utilizaram IA alcançaram uma média de 68,5% de acertos, enquanto aqueles que recorreram à tecnologia obtiveram apenas 57,5%. Barcaui observa que isso não significa que a IA seja prejudicial ao aprendizado, mas sim que seu uso deve ser acompanhado de uma orientação pedagógica adequada.
O pesquisador alerta para o conceito de “competência emprestada”, onde os alunos podem obter respostas sofisticadas sem desenvolver o conhecimento necessário para reproduzir esse raciocínio. Ele enfatiza que a IA deve ser integrada ao ambiente educacional, mas com foco no desenvolvimento de habilidades críticas, como leitura e interpretação.
IA pode substituir professores?
Barcaui destaca que a utilização da IA sem uma orientação pedagógica pode levar à substituição do pensamento crítico dos alunos. Ele acredita que a tecnologia deve ser uma aliada no aprendizado, mas não uma muleta que impeça o desenvolvimento do raciocínio independente.
O professor ressalta a importância de uma mudança nas instituições de ensino, que precisam se adaptar às novas realidades trazidas pela tecnologia. Ele defende que o letramento digital é essencial para que os alunos aprendam a utilizar a IA de forma eficaz e consciente.
Além disso, Barcaui aponta que a educação deve evoluir para preparar os alunos para um mundo onde a IA é uma constante. Isso envolve não apenas a adoção de novas tecnologias, mas também a promoção de habilidades que são fundamentais para o pensamento crítico e a interação social.
Em suma, a presença da inteligência artificial nas salas de aula é uma realidade que deve ser enfrentada com responsabilidade. A tecnologia pode ser uma aliada poderosa, mas seu uso deve ser cuidadosamente orientado para garantir que os alunos desenvolvam as competências necessárias para o futuro.











