Previa: Um estudo recente revela que a maioria dos pais brasileiros está preocupada com os riscos que a inteligência artificial pode representar para seus filhos, especialmente em relação à manipulação de imagens e diálogos falsos.
Um levantamento da Norton, realizado entre 29 de maio e 12 de junho de 2026, aponta que 85% dos pais e responsáveis por crianças menores de 18 anos no Brasil temem que ferramentas de inteligência artificial sejam utilizadas para criar conteúdos falsos envolvendo seus filhos. A pesquisa, que entrevistou mil adultos brasileiros, destaca a crescente preocupação com a segurança digital das crianças.
A pesquisa Norton Insights: Connected Kids revela que a expansão da inteligência artificial trouxe novos desafios para as famílias. Os pais agora enfrentam riscos como a manipulação de imagens e a falsificação de identidades digitais, além de interações virtuais que podem ser perigosas. Apesar de 89% dos entrevistados se sentirem preparados para discutir segurança na internet com seus filhos, 49% não acreditam que as crianças consigam distinguir entre conteúdos reais e aqueles gerados por IA.
Medidas de Segurança e Preocupações com Imagens Falsas
O estudo indica que 59% dos pais já tomaram medidas para mitigar os impactos da inteligência artificial na vida de seus filhos. As ações incluem restrições ao uso de aplicativos, monitoramento das atividades digitais e conversas sobre os riscos associados à tecnologia. A preocupação com a criação de imagens falsas é um dos principais pontos destacados, uma vez que criminosos podem usar IA para enganar jovens e induzi-los a compartilhar conteúdos que podem ser utilizados em extorsões.
Além disso, 29% dos pais que relataram casos de cyberbullying envolvendo seus filhos mencionaram que os agressores usavam perfis falsos ou se passavam por outras pessoas. Outros 14% afirmaram que as agressões foram realizadas por contas ou bots criados com inteligência artificial.
Os dados também revelam que os pais percebem diferentes níveis de risco nas plataformas digitais. Salas de bate-papo online são vistas como as mais preocupantes, com 20% dos entrevistados citando-as. O Discord e jogos online seguem em segundo e terceiro lugares, com 18% e 15%, respectivamente, enquanto o TikTok é mencionado por 11% dos pais.
Apesar da percepção de risco, a pesquisa mostra que 61% dos pais de crianças que jogam online com ferramentas de conversa afirmam que seus filhos já interagiram com desconhecidos. Além disso, 33% relataram que as crianças receberam mensagens ofensivas, e 29% disseram que seus filhos foram incentivados a continuar conversas fora do ambiente do jogo, o que pode dificultar o monitoramento por parte dos responsáveis.
Desconexão entre Percepções e Comportamentos
O levantamento também revela uma discrepância entre a percepção dos pais e os comportamentos das crianças. Embora muitos afirmem estar abertos a discutir riscos digitais, comportamentos preocupantes persistem. Quarenta por cento dos entrevistados relataram que seus filhos usam dispositivos após o horário permitido, e 22% disseram que as crianças acessaram redes sociais ou sites bloqueados.
Além disso, 13% dos pais relataram que seus filhos compartilharam informações pessoais com desconhecidos, enquanto 14% afirmaram que as crianças tiveram acesso a conteúdos explícitos. Esses dados indicam a necessidade de uma abordagem mais abrangente nas conversas familiares sobre segurança digital.
A Norton enfatiza que a evolução do cenário digital exige que os responsáveis ampliem as discussões familiares. Além de tópicos tradicionais, como senhas e desconhecidos na internet, é fundamental abordar questões relacionadas à inteligência artificial, identidade digital e a avaliação crítica de conteúdos. Essa conscientização pode ajudar a proteger as crianças em um ambiente digital cada vez mais complexo.











