Previa: O uso crescente de inteligência artificial nos processos de recrutamento está transformando a forma como as empresas selecionam candidatos. No entanto, especialistas alertam que a apresentação do currículo ainda é crucial para evitar desclassificações automáticas.
A adoção de inteligência artificial (IA) nos processos de recrutamento tem se tornado uma prática comum entre as empresas. Segundo dados da Demand Sage, 87% das organizações ao redor do mundo já implementaram ferramentas de IA em pelo menos uma fase da contratação. A Runtalent, uma empresa especializada em soluções digitais para recrutamento, utiliza essa tecnologia nas etapas iniciais para gerenciar grandes volumes de candidaturas.
Gilberto Reis, diretor de operações da Runtalent, explica que a IA é especialmente útil em processos com alta demanda, como na área de tecnologia. “Utilizamos a tecnologia para apoiar etapas como triagem inicial e análise de aderência entre currículo e requisitos da vaga”, afirma. Apesar disso, ele ressalta que a decisão final ainda depende da avaliação dos recrutadores humanos.
Desconfiança e Desafios na Apresentação do Currículo
Embora a tecnologia traga agilidade ao processo, muitos candidatos expressam desconfiança em relação à automatização. Um estudo da Heach Recursos Humanos revelou que 71,4% dos candidatos temem ser eliminados injustamente por algoritmos, enquanto apenas 23,9% confiam nas decisões automatizadas.
Reis aponta que a principal razão para a exclusão de candidatos não está na tecnologia, mas na forma como as informações são apresentadas nos currículos. “Muitas vezes, o profissional tem experiência relevante, mas não a destaca de forma clara”, explica. A falta de objetividade e a apresentação inadequada de habilidades podem levar a uma avaliação negativa pela IA.
Além disso, a estrutura do currículo pode impactar os resultados. Informações genéricas e descrições pouco claras dificultam a leitura automatizada, mesmo que o candidato possua as qualificações necessárias. Reis sugere que os candidatos busquem transmitir autenticidade e clareza em seus currículos, evitando o uso excessivo de habilidades comportamentais genéricas.
O perfil profissional em plataformas digitais, como o LinkedIn, também ganhou importância nos processos de seleção. A rede utiliza IA para sugerir oportunidades e avaliar a compatibilidade entre candidatos e vagas. Manter informações atualizadas e consistentes entre o currículo e o perfil online é fundamental para aumentar as chances de sucesso.
Por fim, Reis destaca que, independentemente da área de atuação, o mercado está se digitalizando rapidamente. Candidatos que compreendem como a tecnologia influencia os processos de seleção têm uma vantagem competitiva. “Não se trata apenas de adaptar o perfil, mas de apresentá-lo da melhor forma em cada etapa do recrutamento”, conclui.











