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Hortifrúti em Goiás sofre com virose e queda nas exportações de melão em 2026

O setor de hortifrúti no Brasil enfrenta sérios desafios em 2026, com a melancia em Goiás sendo afetada por viroses e chuvas excessivas, enquanto as exportações de melão caem devido...

Hortifrúti em Goiás sofre com virose e queda nas exportações de melão em 2026

Previa: O setor de hortifrúti no Brasil enfrenta sérios desafios em 2026, com a melancia em Goiás sendo afetada por viroses e chuvas excessivas, enquanto as exportações de melão caem devido à concorrência da produção europeia.

O cenário atual do setor de hortifrúti brasileiro é preocupante. Em 2026, a produção de melancia em Goiás está sendo severamente impactada por chuvas excessivas e a disseminação de viroses, que comprometem tanto a produtividade quanto a rentabilidade dos agricultores. Ao mesmo tempo, o mercado de melão enfrenta uma queda nas exportações, exacerbada pela entressafra no Nordeste e pela concorrência crescente da produção europeia.

Dados do Hortifrúti/Cepea indicam que os desafios enfrentados pelos produtores incluem aumento dos custos de produção, dificuldades logísticas e mudanças no comportamento do consumidor. Esses fatores têm pressionado as margens de lucro, tornando a situação ainda mais crítica para os agricultores.

Impactos da virose e das chuvas na produção de melancia

A safra de melancia em Goiás começou sob condições climáticas desfavoráveis, com chuvas excessivas prejudicando o desenvolvimento das lavouras. Em abril, a produtividade média foi de menos de 30 toneladas por hectare. Apesar de uma leve recuperação nas temperaturas entre abril e junho, os custos operacionais continuaram altos, especialmente em relação a insumos e combustível.

Em junho, a situação se agravou com o aumento dos casos de virose, resultando em uma redução média de 13% na produtividade em comparação a maio. Muitos produtores foram forçados a encerrar suas atividades mais cedo devido às perdas, o que impactou ainda mais a produção.

Queda nos preços e na rentabilidade

Além das perdas no campo, os produtores enfrentam um mercado consumidor menos aquecido. O clima mais ameno nas principais regiões de consumo reduziu a demanda pela fruta, enquanto a deterioração da qualidade dos frutos afetados pela virose pressionou os preços para baixo. Em junho, o valor médio da melancia de maior calibre caiu quase 50%.

A rentabilidade média dos produtores goianos despencou para R$ 0,15 por quilo, um resultado 79% inferior ao registrado em maio. Embora o desempenho acumulado entre abril e junho tenha sido 77% superior ao mesmo período de 2025, essa média não reflete a realidade de todos os agricultores, muitos dos quais enfrentaram perdas significativas.

Exportações de melão em declínio

As exportações de melão brasileiro também apresentaram uma queda acentuada em junho, com uma redução de 59% em relação a maio, totalizando cerca de 2,5 mil toneladas. A receita das exportações caiu 55%, somando aproximadamente US$ 2 milhões FOB. Os principais destinos do melão brasileiro continuam sendo o Reino Unido, Países Baixos e Espanha.

A retração nas exportações já era esperada devido à entressafra nas regiões produtoras do Rio Grande do Norte e Ceará. Além disso, a produção local na Europa, especialmente a safra espanhola, tem reduzido a necessidade de importação do melão brasileiro.

Desafios logísticos e concorrência internacional

O balanço do período de entressafra entre abril e junho de 2026 revela um cenário desafiador para as exportações. Comparado ao mesmo período de 2025, o volume exportado caiu 21%, enquanto a receita diminuiu 19%. Fatores como a competitividade de países da América Central, o aumento da produção internacional e os altos custos logísticos têm pressionado a competitividade do melão brasileiro.

Os custos logísticos aumentaram, impulsionados pelo preço do diesel e os efeitos do conflito no Oriente Médio, complicando ainda mais a situação dos exportadores.

Expectativas para a nova safra

Com a aproximação da nova safra 2026/27, prevista para o final de julho, há expectativa de aumento na oferta de melão. No entanto, os produtores estão negociando contratos de exportação com cautela, devido ao desempenho abaixo do esperado da safra anterior. Se essa tendência continuar, parte do volume destinado ao mercado externo poderá ser redirecionada para o consumo interno, aumentando a pressão sobre os preços.

Os próximos meses serão cruciais para o setor de hortifrúti, com o clima, a nova safra e a dinâmica das exportações desempenhando papéis fundamentais na definição do equilíbrio entre oferta, demanda e preços no mercado. A capacidade de adaptação dos produtores a esse cenário será determinante para a recuperação da rentabilidade no setor.

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