Previa: O mercado de hortaliças no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com preços pressionados pela baixa demanda e pelo avanço das colheitas. Alface, cebola, cenoura e tomate são as principais culturas afetadas, refletindo as mudanças climáticas e o comportamento do consumo.
Na última semana, o mercado brasileiro de hortaliças apresentou movimentos variados, mas a demanda geral se manteve fraca. Levantamentos do Hortifrúti/Cepea indicam que fatores como férias escolares, o fim do mês e condições climáticas adversas influenciam diretamente os preços de alface, cebola, cenoura e tomate.
Enquanto algumas regiões lidam com excesso de oferta, outras enfrentam limitações nas colheitas devido ao clima, o que resulta em um cenário misto para os preços. Essa dinâmica exige atenção dos produtores e comerciantes para ajustar suas estratégias de venda.
Desempenho das principais culturas
No setor de alface, a situação é crítica em Ibiúna (SP), onde a demanda continua abaixo do esperado. O retorno das temperaturas mais baixas e o tradicional enfraquecimento do consumo no fim do mês impactaram negativamente as vendas. A alface crespa, por exemplo, teve uma queda de 5,81%, sendo vendida a R$ 31,60 por caixa com 20 unidades.
Por outro lado, a alface americana viu um aumento de 7,85% nos preços, alcançando R$ 24,40 por caixa com 12 unidades, devido a ajustes na oferta. Em Mogi das Cruzes (SP), a oferta controlada ajudou a estabilizar os preços, que se mantiveram em R$ 34,96 para a alface crespa e R$ 32,92 para a americana.
O mercado da cebola, por sua vez, enfrenta pressão devido ao avanço das colheitas no Triângulo Mineiro (MG) e em Cristalina (GO). A abundância de cebolas armazenadas e a aceleração das colheitas resultaram em quedas significativas nos preços, com a cebola sendo comercializada a R$ 60,50 por saca de 20 kg no Triângulo Mineiro, uma redução de 16,10%.
As chuvas excessivas no Sul do Brasil têm dificultado a colheita de cenouras em Caxias do Sul (RS), mas a oferta nacional permanece abastecida, com produtores adquirindo cenouras de outras regiões. Apesar da limitação local, a caixa de 29 kg da cenoura “suja” teve uma leve valorização de 3,9%, vendida a R$ 61,67.
O tomate também apresenta um cenário desafiador, acumulando sua terceira semana consecutiva de queda nos preços. O aumento da produtividade e as condições climáticas favoráveis resultaram em desvalorizações, com preços variando de R$ 49,66 a R$ 68,12, dependendo da região.
Expectativas para o futuro
As próximas semanas devem manter o mercado dividido entre culturas com preços pressionados e aquelas sustentadas por limitações na oferta. A expectativa é de que a demanda por alface melhore com o retorno das aulas, enquanto a cebola pode enfrentar novas quedas devido ao aumento da oferta no Cerrado.
Para a cenoura, a produção em Minas Gerais deve compensar as perdas climáticas no Sul, enquanto o tomate continuará a seguir o ritmo da oferta nacional, que permanece elevada. O clima, a evolução das colheitas e a recuperação do consumo serão fatores cruciais para definir a trajetória dos preços das hortaliças nos próximos dias.











