O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de dez dias para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se pronuncie sobre o pedido de acesso a registros de entrada e saída da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas dependências do Senado.
O pedido foi feito pelo vereador de Curitiba, Guilherme Kilter, do partido Novo, que busca que a Corte obrigue o Senado a fornecer informações sobre a entrada e saída de Viviane, Vorcaro e outros indivíduos mencionados. Kilter argumenta que o acesso a esses dados é fundamental para a transparência e a accountability das atividades legislativas.
De acordo com o vereador, o Senado negou os pedidos de acesso sob a justificativa de que se tratam de “informações de caráter pessoal”. No entanto, Fux, ao analisar o caso, considerou que não há indícios de violação da intimidade ou de informações pessoais que justifiquem a recusa do Senado em fornecer os registros solicitados.
Na decisão, o ministro determinou que a Advocacia do Senado se manifeste sobre a questão, o que pode abrir caminho para um debate mais amplo sobre a transparência nas atividades do legislativo e o direito à informação. Além de Viviane Barci e Daniel Vorcaro, Kilter também solicitou acesso a registros de entrada do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O caso ganha relevância não apenas pela figura dos envolvidos, mas também pelo contexto em que se insere, onde a transparência e o acesso à informação são temas centrais no debate público. A decisão de Fux pode influenciar a forma como o Senado lida com pedidos de informação no futuro, especialmente quando envolvem pessoas ligadas a figuras públicas.
Fux foi designado relator do mandado de segurança após o ministro Alexandre de Moraes se declarar impedido de julgar o caso, o que levanta questões sobre a imparcialidade e a separação de poderes no Brasil. A expectativa é que a manifestação do Senado, assim como a decisão final do STF, possa estabelecer precedentes importantes sobre o direito à informação e a proteção da privacidade no âmbito legislativo.
O desfecho desse processo poderá ter implicações significativas para a relação entre o Senado e a sociedade civil, especialmente em um momento em que a confiança nas instituições está em pauta. A transparência nas atividades do Senado é um tema que tem sido cada vez mais cobrado pela população, e a resposta do presidente Davi Alcolumbre poderá ser um indicativo de como a Casa se posiciona frente a essas demandas.











