Previa: França e Índia estão em uma intensa competição para atrair investimentos em inteligência artificial, buscando se destacar em um cenário dominado por EUA e China. Os líderes dos dois países têm utilizado suas relações pessoais com executivos de grandes empresas de tecnologia para garantir recursos e infraestrutura para o setor.
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, têm intensificado suas ações para atrair investimentos em inteligência artificial (IA). O foco está em infraestrutura, como data centers, computação em nuvem e chips, em um momento em que os Estados Unidos e a China continuam liderando o mercado global de tecnologia.
Macron tem se destacado ao estabelecer relações diretas com líderes de grandes empresas. Recentemente, ele convenceu Masayoshi Son, presidente da SoftBank, a investir bilhões de dólares em data centers de IA na França. O compromisso inclui a construção de 3,1 GW de capacidade até 2031, parte de um programa maior de 75 bilhões de euros para expandir a infraestrutura de IA no país.
Macron e a SoftBank
As negociações entre Macron e Son foram intensas, com Macron enfatizando a capacidade energética da França, que se baseia em fontes nucleares. Ele garantiu 3 GW de energia para os projetos da SoftBank, superando a proposta inicial de 2 GW. Son elogiou a colaboração entre suas equipes, destacando a eficácia do governo francês em apoiar o investimento.
Em um evento recente do G7, Macron também promoveu um encontro entre líderes de tecnologia e chefes de Estado, incluindo o presidente dos EUA. A presença de executivos de empresas como OpenAI e Google DeepMind demonstra a relevância da França como um hub emergente para inovações em IA.
Modi e o ecossistema de IA na Índia
Por sua vez, Modi tem buscado fortalecer o ecossistema de IA na Índia. Em fevereiro, ele organizou o AI Impact Summit em Nova Délhi, onde foram firmados compromissos significativos de investimento. Modi enfatizou que a Índia vê a IA como uma oportunidade, não como uma ameaça, e incentivou a colaboração internacional para o desenvolvimento de tecnologias no país.
Atraindo investimentos, o governo indiano tem oferecido incentivos fiscais para empresas que construam data centers de IA. Recentemente, a Microsoft anunciou um investimento significativo para desenvolver capacidades de IA na Índia, enquanto o Google planeja criar seu maior hub de IA fora dos EUA no país.
Semicondutores e dependência externa
Ainda assim, a Índia enfrenta desafios, como a dependência de semicondutores importados e modelos de IA estrangeiros. Durante uma visita a Holanda, Modi anunciou parcerias para a construção de uma fábrica de semicondutores, mas o país ainda carece de um ecossistema robusto que possa competir com potências como os EUA e a China.
Com a valorização global das ações de IA, a urgência de Modi em atrair capital e tecnologia se torna ainda mais evidente. A falta de grandes empresas locais no setor de IA torna a Índia vulnerável a diretrizes de controle de exportação de outros países, o que pode impactar suas ambições futuras.











