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Queda da ureia transforma compras de fertilizantes na safrinha, enquanto fosfatados seguem altos

O mercado de fertilizantes no Brasil enfrenta um cenário de contrastes, com a queda dos preços da ureia beneficiando os produtores, enquanto os fosfatados continuam pressionados por custos elevados.

Queda da ureia transforma compras de fertilizantes na safrinha, enquanto fosfatados seguem altos

Previa: O mercado de fertilizantes no Brasil enfrenta um cenário de contrastes, com a queda dos preços da ureia beneficiando os produtores, enquanto os fosfatados continuam pressionados por custos elevados. Essa dinâmica já influencia as estratégias de compra para a safrinha e a safra de soja.

Atualmente, o setor de fertilizantes no Brasil passa por mudanças significativas que impactam diretamente as decisões dos agricultores. A recente queda nos preços internacionais da ureia oferece uma oportunidade para os produtores que buscam fertilizantes nitrogenados, ao mesmo tempo em que os preços dos fosfatados permanecem elevados devido a restrições de oferta e altos custos de produção.

Importações de fertilizantes recuam no Brasil

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, entre janeiro e maio, o Brasil importou 15 milhões de toneladas de fertilizantes, uma redução de 1,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa diminuição é atribuída principalmente à queda nas importações de fertilizantes nitrogenados e fosfatados.

Enquanto isso, as importações de potássicos aumentaram, ajudando a compensar a queda nos outros nutrientes. Muitos produtores têm adiado suas compras devido à incerteza sobre os preços e os custos de produção, o que reflete uma mudança na estratégia de aquisição de insumos.

Queda da ureia melhora relação de troca

Entre os fertilizantes nitrogenados, a ureia se destaca por sua competitividade no mercado internacional. As negociações geopolíticas no Oriente Médio e o retorno da China ao comércio global resultaram em uma queda nos preços, que agora estão abaixo dos níveis anteriores ao conflito na região.

Essa redução nos preços da ureia melhora a relação de troca para os agricultores que ainda não realizaram suas compras. Até maio, o Brasil importou 1,5 milhão de toneladas de ureia, uma queda de 27% em relação ao mesmo período de 2025, mas espera-se que os volumes aumentem no segundo semestre, quando a demanda para a safrinha cresce.

Fosfatados seguem com preços elevados

Por outro lado, a situação é diferente para os fertilizantes fosfatados. As importações de MAP (fosfato monoamônico) caíram 28%, totalizando cerca de 1 milhão de toneladas. O superfosfato simples (SSP) também apresentou uma redução de 13%, com importações de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas.

A queda nas compras de enxofre, que diminuiu 45% até maio, é um fator que contribui para a elevação dos preços dos fosfatados. O custo elevado dessa matéria-prima tem impactado a produção nacional, mantendo os preços em patamares altos.

Produtores avaliam reduzir adubação fosfatada

Diante dos preços elevados e sem perspectivas de queda no curto prazo, alguns produtores consideram reduzir a aplicação de fósforo na próxima safra de soja. Contudo, a maioria já adquiriu uma parte significativa dos fertilizantes antes do aumento recente nos preços internacionais.

Os agricultores tendem a monitorar a evolução do mercado antes de tomar decisões definitivas sobre suas estratégias de adubação, buscando minimizar os impactos financeiros.

Mercado acompanha evolução dos preços

Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, destaca que o comportamento do mercado permite que os produtores aguardem por melhores oportunidades, especialmente no segmento de fertilizantes nitrogenados. A queda nos preços da ureia favorece novas negociações para a safrinha.

No entanto, o mercado de fosfatados continua a enfrentar um ambiente restritivo, com o aumento dos custos de enxofre e a oferta global limitada, o que dificulta uma queda significativa nos preços a curto prazo.

Perspectiva para a safrinha

Apesar da lentidão nas vendas de fertilizantes em várias regiões produtoras, a Consultoria Itaú BBA não vê indícios de restrições imediatas ao manejo das lavouras. O mercado permanece atento às flutuações dos preços internacionais e à oferta global, fatores que continuarão a influenciar as compras de fertilizantes e os custos de produção na agricultura brasileira nos próximos meses.

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