Prévia: O mercado de feijão no Brasil apresentou mudanças significativas em julho, com o feijão carioca enfrentando uma queda acentuada nos preços devido à terceira safra, enquanto o feijão preto manteve sua estabilidade. A dinâmica de oferta e demanda é crucial para entender os movimentos de preços neste setor.
Em julho, o mercado brasileiro de feijão demonstrou comportamentos distintos, com o feijão carioca sofrendo uma forte correção nos preços. Essa queda é atribuída ao avanço da terceira safra irrigada, que aumentou a disponibilidade do produto, especialmente em Minas Gerais e Goiás. Este cenário encerrou um período de valorização que se estendeu de abril a junho.
De acordo com a análise da Safras & Mercado, o atual cenário reflete uma fase de reposicionamento no mercado, caracterizada por menor liquidez e novas referências de preços. Os compradores estão sendo mais seletivos, o que impacta diretamente as negociações.
Impacto da terceira safra nos preços do feijão carioca
O feijão carioca começou julho ainda influenciado pela valorização dos meses anteriores, quando a escassez de lotes superiores gerou uma intensa disputa entre compradores. Com a chegada da terceira safra, a oferta de feijões de melhor qualidade aumentou, resultando em uma correção significativa nos preços.
Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, destaca que a maior disponibilidade de feijões extras alterou rapidamente o comportamento do mercado, reduzindo a pressão compradora e promovendo uma forte correção nas cotações.
No atacado, os preços do feijão carioca na Bolsa do Brás, em São Paulo, caíram de R$ 370 a R$ 440 por saca para uma faixa entre R$ 310 e R$ 330. Embora os padrões comerciais tenham mostrado maior resistência, com preços entre R$ 270 e R$ 295, a tendência de queda foi evidente em todo o mercado.
Comportamento do feijão preto e suas perspectivas
Enquanto o feijão carioca enfrentou uma correção acentuada, o feijão preto manteve uma estabilidade notável em julho. A principal razão para essa sustentação foi a menor disponibilidade nacional, especialmente após perdas produtivas na Região Sul.
O mercado de feijão preto operou próximo da estabilidade, com compradores realizando aquisições pontuais. Na Bolsa do Brás, os preços para o feijão preto se mantiveram em torno de R$ 250 por saca, com os melhores padrões variando entre R$ 260 e R$ 270.
As oscilações de preços foram limitadas, com o interior paulista registrando valores entre R$ 235 e R$ 245 por saca. A restrição estrutural da oferta nacional impediu movimentos mais fortes de desvalorização, mantendo o mercado equilibrado mesmo em um cenário de consumo moderado.
O mercado de feijão entra em agosto dividido entre dois cenários. Para o feijão carioca, a evolução da terceira safra será crucial para determinar o comportamento dos preços. Já o feijão preto poderá ver uma valorização gradual no segundo semestre, dependendo do aumento da demanda da indústria.
A qualidade do produto, a disponibilidade regional e o ritmo de abastecimento continuarão a ser fatores determinantes para as cotações do feijão no Brasil, refletindo a complexidade e a dinâmica do agronegócio nacional.











