Previa: O setor de árvores cultivadas no Brasil alcançou exportações de US$ 3,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026, superando desafios globais como protecionismo e tensões geopolíticas. O desempenho destaca a relevância da indústria florestal na economia nacional.
O Brasil, um dos líderes mundiais na produção de árvores cultivadas, registrou um desempenho notável no início de 2026. Apesar de um cenário internacional adverso, com medidas protecionistas e desaceleração econômica em mercados-chave, as exportações do setor totalizaram US$ 3,6 bilhões entre janeiro e março. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Árvores (Ibá) no Boletim Mosaico.
Relevância na balança comercial
Nos primeiros três meses de 2026, a indústria de árvores cultivadas representou 4,4% das exportações totais do Brasil e 9,6% das vendas externas do agronegócio. O saldo da balança comercial do setor foi de US$ 3,3 bilhões, evidenciando sua importância para a geração de divisas e empregos, além de contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.
Celulose como destaque
A celulose se manteve como o principal produto exportado, com 6,7 milhões de toneladas produzidas no trimestre, embora tenha apresentado uma queda de 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As exportações de celulose totalizaram 4,8 milhões de toneladas, resultando em US$ 2,6 bilhões, uma diminuição de 6,3% em comparação anual.
Apesar da retração nas exportações, a celulose continua a ser um pilar fundamental para o setor, impulsionada pela demanda internacional e pela competitividade da produção brasileira.
Desempenho do papel e painéis de madeira
O segmento de papel mostrou estabilidade, com produção de 2,8 milhões de toneladas, um leve crescimento de 0,2% em relação ao ano anterior. As vendas internas cresceram 1,8%, enquanto as exportações caíram 0,6%, resultando em vendas externas de US$ 566,6 milhões, uma queda de 4,2% em relação a 2025.
Os painéis de madeira, por sua vez, tiveram um desempenho positivo no mercado interno, com vendas aumentando 7,4%, mas enfrentaram dificuldades no comércio exterior, com uma queda de 27,9% em volume e 34,3% em valor nas exportações.
China como principal mercado
A China se destacou como o principal destino das exportações brasileiras, importando cerca de US$ 1,3 bilhão em produtos florestais. A Europa e a América do Norte também figuram entre os principais compradores, embora o ambiente econômico global continue desafiador.
Perspectivas e desafios futuros
O presidente da Ibá, Paulo Hartung, ressaltou que o desempenho do setor no primeiro trimestre reflete a capacidade de adaptação da indústria florestal brasileira. Mesmo com as incertezas no comércio internacional, a expectativa é que o setor busque novas oportunidades ao longo de 2026, contribuindo para a economia brasileira e para a transição para uma economia de baixo carbono.
Com a demanda internacional sujeita a tensões geopolíticas e políticas comerciais, o setor de árvores cultivadas deve continuar monitorando o mercado externo. A combinação de produtividade, competitividade e a crescente demanda por produtos renováveis posiciona o Brasil como um protagonista na bioeconomia e na indústria florestal sustentável.











