Previa: As exportações do Brasil para os Estados Unidos enfrentaram uma queda significativa de 12,2% nos primeiros sete meses de 2026, atingindo o menor nível em três anos. O cenário é impactado por sobretaxas aplicadas pelo governo norte-americano.
Entre janeiro e julho de 2026, as vendas brasileiras para o mercado americano totalizaram US$ 21 bilhões, conforme dados do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil. Essa redução representa uma perda de aproximadamente US$ 2,9 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior.
A queda acentuada nas exportações é atribuída principalmente às tarifas elevadas, que variam entre 25% e 37,5%. Produtos submetidos a essas sobretaxas apresentaram uma diminuição de 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões em 2025 para US$ 3,2 bilhões em 2026, resultando em uma perda de US$ 1,4 bilhão.
Impacto das Tarifas no Comércio Bilateral
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou que o desempenho das exportações evidencia uma perda de dinamismo no comércio bilateral, especialmente nos segmentos mais afetados pelas tarifas. Em julho de 2026, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 3,6 bilhões, uma queda de 5% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Esse resultado interrompeu uma leve recuperação observada em junho, quando as vendas haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado. Entre os produtos com sobretaxas, a retração em julho foi ainda mais acentuada, alcançando 25,7%.
Por outro lado, produtos abrangidos pela Seção 232, como aço e alumínio, tiveram um crescimento de 21,5%, mostrando que nem todos os segmentos estão igualmente afetados pelas tarifas. As diferenças de desempenho entre os produtos revelam a complexidade do comércio entre os dois países.
Setores Mais Afetados e Crescimento das Importações
Entre os produtos que mais sofreram quedas nas exportações para os EUA estão sebo bovino, madeiras compensadas, fumo e sucos de frutas. Esses segmentos refletem a vulnerabilidade de certos produtos às tarifas elevadas, enquanto outros mantêm um desempenho positivo em mercados internacionais.
Enquanto as exportações brasileiras enfrentam dificuldades, as importações de produtos dos Estados Unidos pelo Brasil apresentaram um crescimento de 0,6% em julho, totalizando US$ 4,3 bilhões. Isso resultou em um déficit comercial de US$ 639 milhões no mês, com um acumulado de US$ 2,3 bilhões até julho, um aumento de 122,3% em relação ao ano anterior.
Comparativo com o Comércio Global
Os dados do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos também revelam que, enquanto as exportações para os EUA caíram 12,2%, as vendas brasileiras para o restante do mundo cresceram 10,5% no mesmo período. Apesar da retração, os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás da China.
Além disso, quatro dos dez principais produtos exportados pelo Brasil para os EUA apresentaram queda nas vendas, mesmo com crescimento nas exportações para outros países. Isso indica que as tarifas estão impactando negativamente a competitividade de produtos brasileiros no mercado americano.
Os dados ressaltam a fragilidade do comércio Brasil-EUA em 2026, com a combinação de sobretaxas, queda nas exportações e aumento do déficit comercial criando um cenário desafiador para os setores mais expostos às tarifas. A necessidade de diversificação de mercados se torna cada vez mais evidente para mitigar os impactos negativos das atuais condições comerciais.
Entre os principais indicadores do comércio bilateral, destacam-se: exportações do Brasil para os EUA de US$ 21 bilhões, importações de US$ 23,2 bilhões e um déficit comercial de US$ 2,3 bilhões, com uma estrutura tarifária que continua a influenciar os resultados do comércio entre os dois países.











