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Exportações de melão do Brasil caem 47% em maio devido à entressafra e concorrência europeia

As exportações de melão do Brasil enfrentaram uma queda significativa em maio de 2026, impactadas pela entressafra e pela concorrência da produção espanhola.

Exportações de melão do Brasil caem 47% em maio devido à entressafra e concorrência europeia

Previa: As exportações de melão do Brasil enfrentaram uma queda significativa em maio de 2026, impactadas pela entressafra e pela concorrência da produção espanhola. O volume embarcado caiu 47% em relação ao mês anterior, refletindo um cenário desafiador para os produtores.

As exportações de melão do Brasil registraram uma nova queda em maio de 2026, com o volume embarcado totalizando apenas 6 mil toneladas. Essa retração de 47% em comparação a abril é atribuída ao período de entressafra nos principais polos produtores do Nordeste e à forte concorrência da produção europeia. A receita gerada com as vendas externas também apresentou uma diminuição, somando US$ 4,6 milhões, o que representa uma queda de 48% em relação ao mês anterior.

O Reino Unido se manteve como o principal destino da fruta brasileira, absorvendo 40,28% dos embarques, seguido pelos Países Baixos com 39,91% e pela Espanha, que respondeu por 9,41% das compras. Essa dinâmica de mercado evidencia a importância das relações comerciais com a Europa, mas também destaca os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros.

Entressafra reduz oferta e limita embarques

Pesquisadores do Hortifrúti/Cepea indicam que a redução nas exportações era esperada devido à entressafra nas regiões do Rio Grande do Norte e Ceará, que concentram a maior parte da produção destinada ao mercado externo. A escassez de frutas no Brasil se agrava pela boa safra espanhola, que tem abastecido amplamente o mercado europeu, fazendo com que os compradores priorizem fornecedores mais próximos para reduzir custos logísticos.

A combinação de uma oferta local maior na Europa e fretes mais competitivos torna o produto espanhol mais atraente para os importadores, impactando diretamente as vendas do melão brasileiro. Essa situação exige que os produtores nacionais busquem alternativas para manter sua competitividade no mercado internacional.

Doença causada por bactéria também afeta qualidade dos frutos

Outro fator que contribuiu para a diminuição dos embarques foi o aumento da incidência da bactéria Acidovorax, responsável pela mancha-aquosa nos melões. Produtores relataram que essa doença comprometeu a qualidade dos frutos, inviabilizando parte das exportações. O problema está relacionado às chuvas intensas que ocorreram desde março nas áreas produtoras do Nordeste.

Com a diminuição das chuvas a partir da segunda quinzena de maio, espera-se uma melhora nas condições de manejo e controle fitossanitário, o que pode ajudar a mitigar os efeitos da doença e permitir uma recuperação gradual na qualidade dos produtos exportados.

Queda também aparece na comparação anual

Em comparação com maio de 2025, o desempenho das exportações também foi negativo, com uma retração de 36% no volume embarcado e uma queda de 35% na receita. As perspectivas para os próximos meses indicam uma recuperação gradual, mas ainda limitada, com possíveis aumentos nos embarques ocorrendo de forma moderada até julho, acompanhando a retomada da produção.

Com o avanço dos plantios da safra 2026/27 no Rio Grande do Norte e Ceará, a expectativa é de que a oferta cresça progressivamente, com volumes mais expressivos chegando ao mercado a partir do final de julho e início de agosto.

Custos de produção e frete preocupam setor

Apesar da expectativa de recuperação na produção, os produtores permanecem atentos aos riscos relacionados ao cenário internacional. O conflito no Oriente Médio levanta preocupações sobre possíveis aumentos nos custos de frete marítimo e insumos, como defensivos agrícolas e mantas de cultivo.

Se essas pressões se confirmarem, o setor poderá enfrentar uma redução nas margens de lucro, limitações na área plantada e impactos na competitividade das exportações brasileiras na próxima temporada. A evolução dos custos logísticos e dos insumos será um dos principais fatores a serem monitorados pelos exportadores de melão nos próximos meses.

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