Previa: As exportações da piscicultura brasileira enfrentaram uma queda significativa no primeiro semestre de 2026, mas sinais de recuperação foram observados no segundo trimestre. O setor busca se adaptar a um cenário desafiador marcado por tarifas e incertezas comerciais.
As exportações da piscicultura no Brasil caíram 34% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa redução é atribuída, em grande parte, ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que afetaram a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Apesar da queda acumulada, o setor mostrou sinais de recuperação entre abril e junho, com um crescimento de 15% nas exportações em relação ao primeiro trimestre. Contudo, os volumes ainda estão abaixo dos níveis anteriores às mudanças tarifárias.
Impactos das Tarifas Americanas
Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, destaca que as tarifas norte-americanas foram o principal fator para a retração das exportações. Mesmo com a redução da tarifa de importação de 50% para 10% em fevereiro de 2026, os embarques ainda não retornaram aos patamares de 2025.
O ambiente de incerteza persiste, especialmente devido a mudanças nas regras comerciais que afetam a confiança dos exportadores. Embora a nova tarifa de 25% aplicada em julho não tenha afetado a tilápia, a cautela ainda é predominante entre os exportadores.
Desempenho das Exportações
No total, as exportações brasileiras de produtos da piscicultura somaram US$ 23,3 milhões no primeiro semestre de 2026. Março foi o mês de maior desempenho, com US$ 5 milhões em vendas externas, seguido por junho, que registrou US$ 4,7 milhões.
A tilápia continua sendo a espécie mais exportada, representando 95% do valor e 91% do volume embarcado no segundo trimestre. Os filés frescos ou refrigerados foram os produtos mais comercializados, destacando a importância da tilápia no mercado internacional.
Importações e Movimentações Inusitadas
As importações de tilápia do Vietnã apresentaram uma desaceleração após um crescimento inicial até março. Algumas restrições impostas por estados brasileiros podem ter contribuído para essa redução, mas a tendência ainda não está consolidada.
Um fato inusitado ocorreu no segundo trimestre de 2026, quando o Brasil exportou tilápia para o Vietnã, um movimento atípico, considerando que o país é tradicionalmente um fornecedor desse produto. Foram embarcadas 50 toneladas de filé de tilápia congelado, levantando questões sobre a natureza desses embarques.
Perspectivas para o Setor
O desempenho das exportações da piscicultura em 2026 reflete um cenário de ajustes no comércio internacional, caracterizado por barreiras tarifárias e oscilações na demanda. A recuperação observada no segundo trimestre sugere que o setor possui capacidade de adaptação.
Produtores e exportadores esperam que a redução das incertezas comerciais possibilite uma retomada gradual das exportações, fortalecendo a presença da piscicultura brasileira no mercado internacional. O levantamento é parte do projeto BRS Aqua, coordenado pela Embrapa e apoiado por diversas instituições.











