Sangue e Grilagem: A Origem das Terras
A investigação reconecta o presente a um crime brutal de 1969: o assassinato a sangue-frio dos quatro irmãos alemães Kubitzky, que não deixaram herdeiros. Pela lei, as terras deveriam ter passado ao Estado, mas tornaram-se objeto de um complexo processo de grilagem.
As glebas acabaram nas mãos de Benedito Bento Filho, o “Comendador Bentinho”, que em 1981 vendeu parte da área (o Pinheirinho) ao megainvestidor Naji Nahas por Cr$ 120 milhões. O restante das terras, localizadas no bairro Chácaras Reunidas, permaneceu com a família Bento e hoje abriga a Comunidade Menino Jesus.
O Histórico do Grupo Bento:
• Blindagem Patrimonial: O grupo é acusado de pulverizar ativos em múltiplas empresas para evitar execuções fiscais.
• Fraude em Rondônia: Em 2010, a Justiça de Rondônia anulou a transferência de um imóvel de luxo para a esposa de Bentinho, classificando o ato como fraude para livrar o patrimônio de dívidas.
• Inadimplência: O tradicional Hotel Urupema foi a leilão judicial em 1998 para pagar dívidas com a Nossa Caixa.
Blindagem Política na Câmara Municipal
A tentativa de investigar o perdão milionário à BBF foi barrada pelo Legislativo local em maio de 2026. Por 11 votos a 9, a base de apoio ao governo rejeitou o Requerimento de Informações nº 1628/2026.
Entre os que votaram contra a transparência, o dossiê destaca casos de contradição política:
• Lino Bispo (PL): Visitou a comunidade para fotos e vídeos humanitários, mas votou contra a investigação da empresa.
• Zé Luís (PSD): Líder da base e articulador do governo, utilizou sua influência para sufocar os mecanismos de controle.
O Custo Social da Crise
Enquanto a BBF detém o domínio especulativo da área há décadas e acumula outra dívida ativa de R$ 4,3 milhões, a realidade na Comunidade Menino Jesus é de extrema precariedade:
• População: 471 pessoas, incluindo 121 crianças.
• Vulnerabilidade: 42% das famílias sobrevivem com menos de 1/4 de salário mínimo per capita.
• Oportunidade Perdida: O valor perdoado pela prefeitura (R$ 4,8 milhões) seria suficiente para construir 48 novas moradias populares ou reformar todas as 207 casas da comunidade.
O caso agora aguarda manifestação do Ministério Público e da Defensoria Pública, com ativistas clamando pela suspensão da ordem de despejo e pela cassação da isenção fiscal considerada irregular











