Previa: O mercado de etanol no Brasil apresenta um desempenho robusto, com vendas superando 3 bilhões de litros em junho, mesmo diante da queda na moagem de cana-de-açúcar. O cenário reflete uma demanda crescente por biocombustíveis, destacando mudanças na produção industrial.
O início da safra 2026/27 do etanol no Brasil foi marcado por um aumento significativo nas vendas, que alcançaram 3,12 bilhões de litros em junho. Esse volume representa um crescimento em relação ao mesmo período da safra anterior, evidenciando um aquecimento no consumo de biocombustíveis no país, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA).
Vendas de etanol e mercado interno
As vendas totais de etanol foram divididas em 1,85 bilhão de litros de etanol hidratado e 1,27 bilhão de litros de etanol anidro. O mercado interno se destacou como o principal destino da produção, com um aumento de 24,38% nas vendas de etanol anidro, totalizando 1,24 bilhão de litros. O etanol hidratado também teve um desempenho positivo, com vendas de 1,78 bilhão de litros, representando uma alta de 4,16% em comparação ao ano anterior.
No acumulado da safra, entre abril e junho, a comercialização totalizou 8,80 bilhões de litros, um crescimento de 2,64%, consolidando o bom ritmo de consumo do biocombustível no Brasil.
Desafios na moagem de cana
Apesar da demanda aquecida, a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul caiu 14,5% em junho, totalizando 69,79 milhões de toneladas. No acumulado da safra 2026/27, a moagem soma 214,47 milhões de toneladas, com 255 usinas operando, incluindo aquelas dedicadas ao milho e unidades flex.
A redução na moagem impactou diretamente a produção de açúcar, que caiu 26,33% em junho, totalizando 3,90 milhões de toneladas. No total da safra, a produção de açúcar foi de 10,75 milhões de toneladas, uma retração de 12,38%, indicando que uma parte da matéria-prima foi redirecionada para a fabricação de etanol.
Crescimento da produção de etanol
Enquanto a produção de açúcar diminuiu, a produção de etanol apresentou crescimento. Em junho, foram produzidos 3,80 bilhões de litros, um aumento de 2,47% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado da safra, a produção totalizou 11,37 bilhões de litros, com um avanço expressivo de 20,44%.
O etanol de milho se destacou, respondendo por 20,98% da produção total em junho, com 796,13 milhões de litros, um crescimento de 8,4%. Desde o início da safra, a produção de etanol de milho já soma 2,39 bilhões de litros, refletindo a expansão desse modelo produtivo, especialmente nos estados do Centro-Oeste.
Perspectivas para o setor sucroenergético
O desempenho da safra sugere um papel cada vez mais importante do etanol na matriz energética brasileira. Se a demanda se mantiver forte nos próximos meses, o setor deverá priorizar a produção de biocombustíveis, enquanto o mercado internacional observará os efeitos da menor oferta de açúcar sobre os preços globais.
A evolução da moagem, as condições climáticas e o comportamento do mercado de combustíveis serão fatores cruciais para determinar o equilíbrio entre a produção de açúcar e etanol ao longo da safra 2026/27.











