Previa: O mercado de etanol no Brasil enfrenta desvalorização, mas ainda se mostra competitivo em relação à gasolina em várias regiões. O avanço da safra de cana-de-açúcar é o principal fator por trás dessa dinâmica.
Na última semana, o mercado brasileiro de etanol registrou uma nova queda nos preços, impulsionada pelo aumento da colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul. Os dados do Cepea/Esalq indicam que tanto o etanol hidratado quanto o anidro estão enfrentando desvalorização, refletindo uma oferta elevada que limita a recuperação dos preços.
Entre os dias 20 e 24 de julho, o etanol hidratado teve uma queda de 2,68%, com o preço médio de R$ 2,0764 por litro. Essa tendência é resultado do ritmo acelerado da safra, que tem proporcionado um maior volume de matéria-prima para as usinas, aumentando a oferta do biocombustível no mercado.
Estabilidade em Paulínia e aumento da oferta
No polo de comercialização de combustíveis em Paulínia (SP), o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.175,00 por metro cúbico, apresentando uma leve queda de 0,05% em relação ao dia anterior. Apesar dessa estabilidade, o mês de julho acumula uma queda de 8,05%, evidenciando um cenário de ampla oferta e negociações cautelosas.
A maior disponibilidade do etanol é impulsionada pela intensificação da moagem da cana-de-açúcar, que tem superado a demanda interna. Esse desequilíbrio entre oferta e consumo tem dificultado uma recuperação significativa dos preços no curto prazo.
De acordo com especialistas, a evolução dos preços nos próximos meses dependerá da continuidade da safra, das estratégias comerciais das usinas e do comportamento do consumo de combustíveis no segundo semestre.
Vantagem econômica do etanol
Apesar da queda nos preços, o etanol continua a oferecer vantagens econômicas em comparação à gasolina em dez estados e no Distrito Federal. Um levantamento da ANP mostra que, entre 19 e 25 de julho, a paridade média entre os combustíveis ficou em 61,37%, um índice favorável ao biocombustível.
Os estados onde o etanol se mostrou mais competitivo incluem Acre (68,53%), Amazonas (69,40%) e Santa Catarina (69,53%). A metodologia do mercado considera o etanol vantajoso quando seu preço é de até 70% do valor da gasolina, embora veículos flex modernos possam manter essa competitividade mesmo com uma relação superior.
Perspectivas para o futuro
As próximas semanas devem ser influenciadas pelo avanço da safra de cana no Centro-Sul. Com a produção elevada, a pressão sobre os preços do etanol deve continuar. No entanto, a competitividade em relação à gasolina pode sustentar o consumo interno, especialmente em regiões com alta concentração de veículos flex.
Esse cenário pode ajudar a equilibrar a oferta e a demanda ao longo do segundo semestre, mitigando parte da pressão sobre o mercado e contribuindo para a estabilidade dos preços do biocombustível.











