Previa: O Brasil se destaca como um polo global em bioenergia, atraindo investimentos bilionários no setor de etanol de milho, impulsionado pela crescente demanda e inovações tecnológicas.
O mercado de etanol de milho no Brasil vive um momento de grande expansão, com a produção se aproximando de 10 bilhões de litros na safra 2025/26. Esse crescimento é impulsionado pela abundância de milho de segunda safra e pela agenda de descarbonização, que tem atraído investimentos significativos de grupos internacionais.
Nos últimos anos, empresas dos Estados Unidos, Paraguai e Emirados Árabes Unidos têm se estabelecido no país, transformando-o em um dos principais destinos globais para investimentos em bioenergia. Multinacionais europeias também estão avaliando novas plantas industriais, enquanto grupos chineses observam o mercado, mas ainda não formalizaram investimentos.
Produção e Inovação no Setor
A produção de etanol de milho no Brasil cresceu quase quatro vezes desde o início da década, refletindo o interesse internacional. A ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, que passou de 27% para 30%, também contribuiu para o aumento da demanda pelo biocombustível.
As usinas brasileiras se destacam por operarem como biorrefinarias integradas, aproveitando praticamente todos os componentes do milho. Além do etanol, produzem subprodutos como DDG e DDGS para nutrição animal, óleo de milho, energia elétrica, biometano e dióxido de carbono biogênico, o que aumenta a rentabilidade e a competitividade do setor.
Incentivos e Expansão de Investimentos
O ambiente de incentivos oferecido pelos governos federal e estaduais é um fator crucial para a atração de capital estrangeiro. Projetos podem acessar benefícios como créditos presumidos, financiamentos do BNDES e incentivos regionais, além do programa RenovaBio, que permite a comercialização de Créditos de Descarbonização (CBIOs).
A Inpasa, empresa paraguaia, se destaca como um dos maiores investidores no setor, com planos de expansão que incluem operações em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão, além de novas unidades na Bahia e Goiás, totalizando investimentos superiores a R$ 9,7 bilhões.
Os Estados Unidos também têm um papel importante, com o Summit Agricultural Group e a Cargill investindo em unidades que integram a produção de etanol de milho com a de cana-de-açúcar, otimizando custos operacionais.
O Papel do Brasil na Transição Energética
O Brasil está se posicionando como um protagonista na transição energética, com o etanol ganhando espaço em novas rotas internacionais de descarbonização. O biocombustível é visto como uma alternativa para combustíveis marítimos e para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), ampliando o potencial de exportação.
A chegada de investimentos bilionários no setor de etanol de milho confirma que essa atividade se tornou uma das principais frentes do agronegócio brasileiro. Com um modelo que combina alta oferta de matéria-prima, tecnologia e políticas de descarbonização, o Brasil se reafirma como um dos maiores polos mundiais de bioenergia e combustíveis renováveis.











