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Estudo revela impactos persistentes do desastre de Mariana na pesca do Rio Doce

Um novo estudo revela os impactos persistentes do desastre de Mariana sobre a pesca e a aquicultura na bacia do Rio Doce. A pesquisa, realizada entre 2021 e 2024, destaca...

Estudo revela impactos persistentes do desastre de Mariana na pesca do Rio Doce

Previa: Um novo estudo revela os impactos persistentes do desastre de Mariana sobre a pesca e a aquicultura na bacia do Rio Doce. A pesquisa, realizada entre 2021 e 2024, destaca os desafios enfrentados por comunidades que dependem dessas atividades para sua subsistência.

O Instituto de Pesca (IP-APTA) divulgou um relatório abrangente sobre a situação da pesca e aquicultura na região afetada pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG). O estudo, que abrange dados coletados entre 2021 e 2024, oferece um panorama detalhado das atividades pesqueiras na bacia do Rio Doce e no litoral do Espírito Santo.

O desastre ambiental, que ocorreu em novembro de 2015, ainda gera consequências significativas para a economia local e a subsistência de milhares de famílias que dependem da pesca. O relatório visa acompanhar a evolução desses impactos e fornecer informações essenciais para a formulação de políticas públicas voltadas à recuperação ambiental e ao fortalecimento do setor pesqueiro.

Monitoramento abrangente em 42 municípios

Coordenado pelo pesquisador Antonio Olinto Ávila da Silva, o projeto envolveu a colaboração do professor Maurício Hostim, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). A pesquisa abrangeu 42 municípios nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, incluindo rios, lagoas e áreas estuarinas.

O município de Linhares (ES) foi destacado por sua localização estratégica na foz do Rio Doce, servindo como um ponto chave para o monitoramento das atividades pesqueiras. Durante quatro anos, os pesquisadores registraram 2.741 unidades produtivas ligadas à pesca, contabilizando um total de 15.891 toneladas de pescado desembarcado.

Impactos duradouros na pesca continental

Os dados revelam que os efeitos do rompimento da barragem ainda são evidentes, especialmente nas áreas continentais da bacia do Rio Doce. Foram identificadas 1.965 unidades produtivas, com 31% dos pescadores relatando inatividade, um reflexo direto dos danos causados pelo desastre ambiental.

Mesmo após mais de dez anos do incidente, a recuperação da atividade pesqueira continua sendo um desafio para diversas comunidades. A pesquisa destaca a necessidade urgente de intervenções para apoiar esses profissionais e revitalizar a economia local.

Pesca artesanal no litoral capixaba

No Espírito Santo, a pesquisa identificou 776 unidades produtivas no ambiente marinho e estuarino, das quais 87% são dedicadas à pesca artesanal. Durante o período analisado, foram registradas 17.270 viagens de pesca, resultando em aproximadamente 15.752 toneladas de pescado desembarcado.

Esses números ressaltam a importância econômica e social da pesca artesanal para as comunidades costeiras, além de evidenciar a necessidade de um acompanhamento contínuo das atividades pesqueiras na região.

Base para políticas públicas e recuperação ambiental

Os pesquisadores afirmam que as informações geradas pelo estudo são fundamentais para orientar ações de gestão e recuperação ambiental. O relatório oferece uma visão aprofundada do perfil dos pescadores e da dinâmica da atividade pesqueira na região afetada.

Com esses dados, é possível desenvolver políticas públicas que atendam às necessidades das comunidades pesqueiras, promovendo a sustentabilidade e o fortalecimento do setor. O monitoramento contínuo é considerado essencial para entender as transformações na atividade pesqueira ao longo do tempo.

O estudo não apenas dimensiona os impactos socioeconômicos do desastre, mas também fornece um retrato atualizado da pesca e aquicultura na bacia do Rio Doce e no litoral do Espírito Santo, contribuindo para a formulação de estratégias de recuperação e conservação dos recursos pesqueiros.

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