Previa: A crescente presença de sugestões de apostas durante transmissões esportivas, especialmente na Copa do Mundo de 2026, levanta preocupações sobre os impactos na saúde mental dos espectadores. Especialistas alertam para o potencial de indução ao comportamento de apostas, afetando tanto apostadores experientes quanto novatos.
As transmissões da Copa do Mundo de 2026 têm sido marcadas por uma intensa publicidade de casas de apostas, reacendendo o debate sobre os riscos associados a esse tipo de exposição. A prática de sugerir apostas em tempo real por narradores e comentaristas, como observado na CazéTV, gerou preocupação entre especialistas em saúde mental, que apontam para os efeitos prejudiciais que essa abordagem pode ter sobre o público.
Durante as primeiras rodadas do torneio, as odds foram apresentadas aos espectadores, incentivando-os a apostar. No entanto, dados indicam que 61% das previsões feitas resultaram em perdas para aqueles que seguiram as recomendações. Essa situação levou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) a investigar a CazéTV por possíveis irregularidades na publicidade de apostas esportivas.
Impacto das Sugestões de Apostas
O psiquiatra Lucas Spanemberg, do Instituto do Cérebro da PUC-RS, destaca que o incentivo às apostas pode influenciar não apenas os apostadores habituais, mas também aqueles que nunca haviam se envolvido com esse tipo de atividade. Segundo ele, a associação entre momentos de lazer e a promessa de ganho financeiro imediato pode reduzir a percepção de risco, estimulando novos apostadores.
Spanemberg explica que o cérebro humano utiliza atalhos cognitivos, e essa dinâmica pode ser especialmente perigosa durante eventos de grande audiência, como a Copa do Mundo. A exposição constante a propagandas de apostas, que muitas vezes associam o ato de apostar à diversão e ao sucesso, pode criar uma falsa sensação de segurança e levar a comportamentos de risco.
Além disso, o especialista ressalta que a regulamentação atual no Brasil é insuficiente para lidar com os desafios impostos por essa nova realidade. A comparação com a regulamentação do tabaco, que resultou em uma significativa redução do número de fumantes, ilustra a necessidade de uma abordagem mais rigorosa em relação às apostas.
O impacto econômico também é uma preocupação crescente. Casos de pessoas utilizando recursos do Bolsa Família para apostas e o aumento do endividamento familiar são exemplos de como o problema se estende além da saúde pública, afetando a estabilidade financeira de muitas famílias brasileiras.
O vício em apostas, segundo Spanemberg, apresenta semelhanças com dependências químicas, ativando áreas do cérebro ligadas ao prazer e reduzindo a capacidade de controle. Isso pode levar a um ciclo vicioso, onde a pessoa se torna cada vez mais dependente das apostas, resultando em consequências graves para sua saúde mental e financeira.
Para aqueles que percebem que estão perdendo o controle sobre as apostas, o especialista recomenda buscar ajuda profissional e utilizar ferramentas de autoexclusão disponíveis online. A conscientização sobre os riscos e a busca por apoio são passos fundamentais para evitar que o problema se agrave.











