Previa: A Copa do Mundo de 2026 marca um avanço significativo na presença feminina na narração esportiva, com novas vozes desafiando um espaço tradicionalmente masculino. Conheça as narradoras que estão reescrevendo a história do futebol.
Por muito tempo, o futebol foi narrado e vivido sob a perspectiva masculina, mas a Copa do Mundo de 2026, que será realizada no Canadá, Estados Unidos e México, promete ser um marco na inclusão feminina nesse cenário. Embora a presença de mulheres na comunicação esportiva tenha crescido, a narração ainda é um território predominantemente masculino, com poucas exceções nas grandes transmissões.
Entre as emissoras que se destacam, o Grupo Globo é uma das poucas que conta com narradoras em sua equipe principal. Outras plataformas, como ESPN e CazéTV, têm avançado na inclusão de comentaristas femininas, mas a narração ainda não acompanhou essa evolução. Essa realidade reflete uma resistência histórica que as mulheres enfrentam na cobertura esportiva.
Histórico e Desafios
A história da narração feminina no Brasil remonta aos anos 1970, com a criação da Rádio Mulher, que contava com uma equipe totalmente feminina. Nomes como Zuleide Ranieri e Claudete Troiano desafiaram as normas da época ao narrar partidas de futebol, mas o projeto durou apenas até 1976, evidenciando a resistência à presença feminina nesse espaço.
Nos anos 1990, Luciana Mariano se destacou como a primeira mulher a narrar futebol na televisão brasileira, alcançando a marca simbólica de mil jogos narrados em 2024. Sua trajetória é um exemplo da persistência necessária para legitimar a presença feminina na narração esportiva.
Recentemente, Renata Silveira se tornou um ícone dessa transformação, sendo a primeira mulher a narrar uma Copa do Mundo na Rádio Globo em 2014 e, em 2026, a primeira a narrar um jogo de Mundial diretamente do estádio para a televisão aberta. Essas conquistas são importantes não apenas para a visibilidade feminina, mas também para a reconfiguração do espaço esportivo.
Novas Vozes e Perspectivas
As narradoras Isabelly Morais e Natalia Lara, que também fazem parte do time do SporTV, compartilham suas experiências sobre os desafios enfrentados no dia a dia. Ambas destacam que a crítica à narração feminina muitas vezes é baseada em preconceitos estruturais, que vão além da técnica e tocam em questões culturais profundas.
Isabelly, que se tornou a primeira mulher a narrar uma partida de futebol em Minas Gerais aos 20 anos, e Natalia, que começou sua carreira em rádio, ressaltam a importância de suas vozes na transformação da narrativa esportiva. Para elas, a presença feminina no microfone não é apenas uma questão de técnica, mas uma mudança de perspectiva que enriquece a cobertura do esporte.
Além delas, novas vozes estão surgindo, como Letícia Macedo, que se destacou durante a Copa do Mundo feminina de 2023 e se tornou a narradora mais jovem a comandar um jogo do torneio. Essa nova geração está moldando um futuro onde a narração feminina não é apenas uma exceção, mas uma norma.
O que está em jogo, portanto, não é apenas quem narra, mas quem tem o direito de contar a história do futebol. A Copa do Mundo de 2026 será um palco importante para que essas narradoras continuem a desafiar estereótipos e a ampliar a presença feminina no esporte, reescrevendo a narrativa do futebol para as próximas gerações.











