Previa: O fenômeno El Niño pode impactar a oferta global de açúcar, especialmente em países do Hemisfério Norte, enquanto o Brasil se destaca com uma safra robusta e menor vulnerabilidade climática.
O mercado internacional de açúcar está em alerta com as previsões climáticas que indicam a possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño. Nos últimos meses, o cenário foi marcado por uma recuperação na oferta e pressão sobre os preços, mas especialistas apontam que as mudanças no regime de chuvas podem afetar a safra 2026/27.
Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, os principais riscos estão concentrados em países como Índia, Tailândia e na América Central. Nessas regiões, o El Niño tende a provocar redução das chuvas e aumento das temperaturas, o que pode comprometer o desenvolvimento da cana-de-açúcar.
Brasil deve manter liderança na produção de açúcar
Em contrapartida, o Brasil se posiciona de forma privilegiada no mercado global. A expectativa para a safra 2026/27 do Centro-Sul é positiva, com previsão de colheita de cerca de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, superando a marca de 600 milhões de toneladas pelo quarto ano consecutivo.
Esse desempenho reforça a posição do Brasil como maior produtor e exportador de açúcar do mundo, aumentando sua relevância no abastecimento global em um cenário de possíveis dificuldades em outras origens. A maior parte da cultura já passou pela fase mais sensível de desenvolvimento, o que diminui a vulnerabilidade da safra atual aos efeitos do El Niño.
Embora o aumento das chuvas possa causar atrasos pontuais na moagem em algumas regiões, as perspectivas para a produção permanecem favoráveis.
Índia e Tailândia concentram as maiores preocupações
Ao contrário do Brasil, a situação em países asiáticos é preocupante. Índia e Tailândia, que representam uma parte significativa das exportações mundiais de açúcar, costumam enfrentar estiagens durante eventos de El Niño. A escassez de água pode reduzir a produtividade dos canaviais, limitando a oferta de matéria-prima para a indústria açucareira na safra que se inicia em outubro de 2026.
Qualquer diminuição na produção desses países pode impactar rapidamente as cotações internacionais da commodity, dada a importância que ambos exercem no comércio global.
América Central também entra no radar do mercado
Além da Ásia, os países da América Central estão sendo monitorados. As previsões climáticas indicam uma maior probabilidade de condições secas na região, o que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar e reduzir os volumes destinados à exportação.
A intensidade dos impactos dependerá da duração do fenômeno e das condições climáticas específicas de cada país ao longo do ciclo produtivo.
Duração do El Niño será decisiva para os próximos ciclos
Os especialistas alertam que os efeitos do fenômeno não se restringem apenas à safra 2026/27. Se o El Niño se intensificar no segundo semestre de 2026 e se estender por 2027, isso poderá influenciar o desenvolvimento da safra 2027/28.
No Brasil, chuvas mais frequentes na região Sul do Centro-Sul podem favorecer a recuperação hídrica dos canaviais para o próximo ciclo, embora ainda seja cedo para confirmar essa tendência.
Oferta brasileira pode ganhar ainda mais importância
O calendário agrícola dos principais países produtores implica que os impactos climáticos ocorram em momentos distintos, exigindo um acompanhamento constante do mercado. Mesmo com uma oferta global mais confortável atualmente, uma eventual redução na produção de concorrentes pode aumentar a dependência do açúcar brasileiro para equilibrar o abastecimento mundial.
Segundo Livea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o monitoramento das condições climáticas será fundamental para a formação dos preços internacionais.
Mercado acompanha clima e perspectivas para os preços
Com a proximidade do início da safra no Hemisfério Norte, investidores, usinas e tradings estão atentos às previsões climáticas. Se o El Niño causar perdas significativas em países exportadores, o Brasil poderá ampliar sua participação no comércio internacional de açúcar, consolidando ainda mais seu papel estratégico na segurança do abastecimento global da commodity.











