Previa: A previsão de um El Niño intenso preocupa os produtores de café no Brasil, que devem se preparar para enfrentar desafios climáticos que podem impactar a próxima safra. Especialistas alertam para a importância de um manejo antecipado nas lavouras.
Os efeitos do clima na produção de café estão em evidência, especialmente com a possibilidade de um El Niño forte nos próximos meses. Esse fenômeno pode trazer períodos de estiagem e temperaturas elevadas, comprometendo o potencial produtivo das lavouras. A situação será discutida no Fórum Café e Clima, que ocorrerá em Guaxupé (MG) no dia 29 de julho.
Impactos do clima na safra 2025/26
Durante o evento, o professor doutor José Donizeti Alves, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), apresentará uma análise sobre os impactos climáticos na safra 2025/26. Ele destaca que a temporada foi marcada por chuvas irregulares, veranicos, ondas de calor e até granizo, afetando o desenvolvimento das plantas.
Essas condições adversas resultaram em múltiplas floradas e na queda de gemas, flores e frutos, prejudicando a qualidade do café. Alves alerta que a produção deve ser inferior às expectativas iniciais devido a esses fatores climáticos.
Desafios futuros e necessidade de manejo
Com a previsão de um El Niño persistente, os cafeicultores devem estar atentos às safras de 2027 e 2028. Espera-se que o fenômeno traga chuvas irregulares e temperaturas acima da média, aumentando a pressão sobre as lavouras. O manejo antecipado será crucial para mitigar esses impactos.
O professor Alves ressalta que o cafeeiro apresenta sinais de estresse climático, como queda de folhas e frutos, menor desenvolvimento vegetativo e aumento da vulnerabilidade a pragas. Identificar esses sinais precocemente pode ajudar os produtores a tomar decisões mais eficazes.
Estratégias para aumentar a resiliência dos cafezais
Para enfrentar os desafios climáticos, é fundamental fortalecer o sistema radicular das plantas. Um sistema radicular profundo permite que o cafeeiro aproveite melhor a água do solo e se recupere mais rapidamente em períodos de estresse hídrico.
Entre as práticas recomendadas estão a irrigação eficiente, a correção do solo e o aumento da matéria orgânica. Essas medidas ajudam a melhorar a estrutura do solo e a retenção de água, essenciais para a saúde das lavouras.
Além disso, o monitoramento constante das lavouras e o uso de tecnologias modernas são fundamentais para manter o potencial produtivo. O planejamento agrícola se torna uma ferramenta estratégica para garantir a produtividade do café em um cenário de mudanças climáticas.
José Donizeti Alves enfatiza que a preparação antecipada pode reduzir perdas e preservar a produção. A cafeicultura brasileira está entrando em uma nova fase, onde a adaptação climática e o manejo preventivo serão decisivos para a competitividade do setor nos próximos anos.











