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Brasil compra supercomputadores dos EUA e China por R$ 2 bilhões em estratégia de IA

O Brasil anunciou a compra de dois supercomputadores, um dos Estados Unidos e outro da China, como parte de sua estratégia para fortalecer a inteligência artificial no país.

Brasil compra supercomputadores dos EUA e China por R$ 2 bilhões em estratégia de IA

Previa: O Brasil anunciou a compra de dois supercomputadores, um dos Estados Unidos e outro da China, como parte de sua estratégia para fortalecer a inteligência artificial no país. A decisão, que envolve um investimento de R$ 2 bilhões, busca equilibrar a autonomia tecnológica em um cenário geopolítico complexo.

Na última semana, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, revelou mudanças significativas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O governo brasileiro planeja adquirir dois supercomputadores, ambos entre os dez mais potentes do mundo, com um investimento total de R$ 2 bilhões. Os editais para a compra devem ser lançados em breve, aguardando a aprovação final do presidente.

A estratégia do governo é multifacetada, envolvendo a aquisição de uma máquina de ponta, uma encomenda tecnológica da China e investimentos em processadores de arquitetura RISC-V. Essa abordagem visa não apenas a modernização da infraestrutura tecnológica, mas também a transferência de tecnologia em hardware e software, conforme estipulado nos contratos.

Desafios Geopolíticos e Orçamentários

A decisão de comprar supercomputadores de duas potências tecnológicas rivais pode ser vista como uma tentativa de manter opções em um cenário global competitivo. Recentemente, o Brasil se tornou um dos fundadores da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), que tem sede na China, enquanto não se juntou à coalizão Pax Silica dos Estados Unidos, que busca reduzir a dependência da tecnologia chinesa.

O orçamento do PBIA, que totaliza R$ 23,03 bilhões entre 2024 e 2028, revela que a maior parte dos recursos será destinada à inovação empresarial, enquanto a infraestrutura receberá um investimento menor. A compra dos supercomputadores representa uma parte significativa desse orçamento, levantando questões sobre a alocação de recursos e a estratégia de longo prazo do Brasil em tecnologia.

Comparando com iniciativas internacionais, o investimento brasileiro é modesto. A União Europeia, por exemplo, planeja mobilizar € 200 bilhões para inteligência artificial, enquanto países como a França e a Coreia do Sul estão comprometendo quantias substanciais para projetos semelhantes. Isso levanta preocupações sobre a competitividade do Brasil no cenário global de inovação tecnológica.

Críticas já surgiram em relação à estratégia de adquirir supercomputadores de dois polos tecnológicos. Especialistas apontam que essa abordagem pode resultar em custos mais altos e na fragmentação da operação, além de não garantir a autonomia desejada na cadeia de produção de tecnologia. A preocupação é que o Brasil termine com tecnologias rivais sem desenvolver sua própria capacidade produtiva.

O foco na arquitetura RISC-V pode ser um passo crucial para o desenvolvimento de uma base tecnológica própria. Essa iniciativa busca mitigar a dependência externa e garantir que o Brasil tenha um papel ativo na criação de suas próprias soluções tecnológicas. A recente suspensão do acesso a modelos de ponta por parte do governo americano reforça a necessidade de diversificação e resiliência na infraestrutura tecnológica do país.

Os detalhes que serão revelados nos editais de compra serão fundamentais para entender a real intenção do governo. Se os contratos incluírem cláusulas robustas de transferência de tecnologia e garantias de autonomia, o Brasil poderá traçar um caminho mais independente. Caso contrário, a aquisição poderá se limitar a um investimento que não resolve a dependência tecnológica existente.

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