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Novo mapa genético brasileiro identifica 129 alvos para tratamento do Alzheimer

Uma nova pesquisa brasileira utiliza inteligência artificial para identificar 129 potenciais alvos terapêuticos para o Alzheimer, ampliando as possibilidades de diagnóstico e tratamento da doença.

Novo mapa genético brasileiro identifica 129 alvos para tratamento do Alzheimer

Previa: Uma nova pesquisa brasileira utiliza inteligência artificial para identificar 129 potenciais alvos terapêuticos para o Alzheimer, ampliando as possibilidades de diagnóstico e tratamento da doença. O estudo, realizado pela BioDecision Analytics, pode revolucionar a forma como a condição é abordada.

Recentemente, um estudo inovador realizado no Brasil revelou um mapa genético que pode transformar a abordagem do Alzheimer. A pesquisa, desenvolvida pela startup BioDecision Analytics, utilizou inteligência artificial e análise de RNA para identificar 129 alvos terapêuticos, ampliando as opções além das proteínas tradicionalmente associadas à doença, como a beta-amiloide e tau.

O Alzheimer, uma condição neurodegenerativa sem cura, tem suas pesquisas limitadas a poucos alvos, o que restringe o avanço em tratamentos eficazes. De acordo com a publicação Pesquisa para Inovação, da FAPESP, a equipe analisou dados genéticos de milhares de amostras para descobrir alterações relacionadas à doença, oferecendo novas perspectivas para pesquisadores e indústrias farmacêuticas.

Pesquisa amplia a busca por novos alvos

Historicamente, a beta-amiloide foi o foco principal nas investigações sobre o Alzheimer. O acúmulo anormal dessa proteína no cérebro forma placas que comprometem a comunicação entre neurônios e provocam inflamações. Rodrigo Araldi, cofundador da BioDecision, destacou a necessidade de explorar outros alvos para promover avanços significativos no tratamento da doença.

Para criar o mapa genético, a equipe utilizou 2.870 amostras de tecidos cerebrais e de sangue de indivíduos saudáveis e de pacientes com Alzheimer. As amostras foram coletadas de cinco regiões do cérebro, escolhidas por suas funções específicas, como o hipocampo, que está relacionado à memória, e o córtex visual, responsável pela visão.

Inteligência artificial ajuda a encontrar padrões

A análise dos dados foi realizada por meio da plataforma BDASeq®, desenvolvida pela BioDecision com o apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP. Essa ferramenta utiliza sequenciamento de RNA para identificar genes com alterações de atividade em pacientes com Alzheimer, revelando processos que podem estar envolvidos no desenvolvimento da doença.

João Rafael Dias Pinto, também cofundador da BioDecision, explicou que a combinação de diferentes métodos estatísticos na plataforma ajuda a minimizar erros, ao contrário de muitos estudos que utilizam apenas um método, o que pode gerar ruídos nos dados. A plataforma integra oito técnicas estatísticas e uma camada de inteligência artificial, permitindo que os pesquisadores priorizem alterações com maior potencial para se tornarem medicamentos ou ferramentas de diagnóstico.

Descoberta pode facilitar novos diagnósticos

O estudo identificou mais de 4.200 genes com expressão alterada em pacientes com Alzheimer. Dentre eles, 75 estão relacionados à plasticidade neuronal, um processo crucial que é afetado pela doença. O estudo também destacou oito genes que não haviam sido considerados como alvos terapêuticos anteriormente, além de 74 genes que podem servir como biomarcadores, com 21 deles apresentando precisão superior a 90% na diferenciação entre indivíduos com Alzheimer e saudáveis.

Atualmente, o diagnóstico do Alzheimer é um processo clínico que pode ser demorado e impreciso. Com as novas descobertas, há a possibilidade de desenvolver exames de sangue mais acessíveis e rápidos. A BioDecision planeja também ampliar o acesso à sua plataforma por nuvem, permitindo que laboratórios menores realizem análises avançadas sem a necessidade de grandes estruturas computacionais.

Apresentado no Congresso AD/PD em Copenhague, na Dinamarca, o estudo representa um avanço significativo na pesquisa sobre o Alzheimer. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda há um longo caminho a percorrer antes que novas terapias e exames possam ser disponibilizados aos pacientes.

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