Prévia: A citricultura brasileira enfrenta desafios significativos devido ao aumento dos custos de produção e à persistência do greening, que impactam diretamente a rentabilidade dos produtores. A combinação de insumos caros e uma colheita menor tem comprimido as margens operacionais, exigindo maior eficiência e tecnologia nas propriedades rurais.
De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, os custos elevados na citricultura são impulsionados por fatores como o manejo intensificado para combater o greening e o aumento dos preços de fertilizantes, diesel e defensivos agrícolas. Esses custos, muitas vezes fixos, tornam-se um fardo maior em anos de colheita reduzida, afetando diretamente a margem operacional dos citricultores.
As operações essenciais, como pulverizações e irrigação, continuam a ser necessárias para manter a produtividade, mesmo em safras menos favoráveis. A eficiência operacional, portanto, se torna um fator crucial para a rentabilidade, especialmente em um cenário onde os preços da laranja estão abaixo dos níveis históricos.
Desafios e oportunidades no setor
O novo cenário de mercado favorece propriedades que investem em tecnologia, mecanização e manejo fitossanitário. Essas características permitem uma melhor diluição dos custos fixos e um aproveitamento mais eficiente dos recursos disponíveis. Em contrapartida, os produtores com menor tecnologia enfrentam dificuldades para manter a viabilidade econômica, especialmente em um ambiente de preços baixos.
Outro aspecto preocupante é a deterioração da relação de troca entre a laranja e os fertilizantes. Atualmente, essa relação está entre os piores índices dos últimos cinco anos, o que limita o poder de compra dos citricultores. Apesar da queda nos preços internacionais dos fertilizantes, a diminuição dos preços da laranja tem tornado a aquisição desses insumos ainda mais onerosa.
Como resultado, muitos citricultores podem ser forçados a reduzir investimentos em adubação e manejo nutricional, o que pode comprometer a produtividade das safras futuras. A situação é ainda mais crítica considerando que o greening continua a ser a maior ameaça para a citricultura no Brasil.
Impactos do greening na produção
A doença, transmitida pelo psilídeo, prejudica o desenvolvimento das plantas e reduz a qualidade dos frutos. Estima-se que, na safra 2025/26, cerca de 49,6 milhões de caixas deixaram de ser colhidas devido ao greening, resultando em uma perda econômica de aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
A incidência do greening tem alterado a geografia da citricultura brasileira, com níveis de contaminação atingindo 47,6% no cinturão citrícola. Regiões como Sul e Sudoeste apresentam os maiores índices, o que eleva os custos de controle e diminui a vida útil dos pomares. Em resposta, muitos produtores estão investindo em novas áreas de cultivo fora das regiões tradicionais.
Dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo indicam que cerca de 50% das mudas produzidas no estado estão sendo destinadas a municípios fora do cinturão citrícola. Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná são os principais destinos dessa expansão.
No entanto, essa migração não elimina os riscos sanitários. A doença também está se espalhando para áreas antes consideradas seguras, exigindo um monitoramento constante e investimentos em controle fitossanitário. Assim, a expansão geográfica pode aliviar a pressão inicial do greening, mas aumenta a necessidade de gestão eficiente e investimentos contínuos para garantir a sustentabilidade da citricultura no Brasil.











