Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Custos de produção se estabilizam, mas rentabilidade do agro gaúcho cai

O agronegócio gaúcho enfrenta um cenário desafiador, com custos de produção estabilizados, mas queda nos preços recebidos pelos produtores, o que impacta diretamente a rentabilidade do setor.

Custos de produção se estabilizam, mas rentabilidade do agro gaúcho cai

Previa: O agronegócio gaúcho enfrenta um cenário desafiador, com custos de produção estabilizados, mas queda nos preços recebidos pelos produtores, o que impacta diretamente a rentabilidade do setor.

Em maio de 2026, o agronegócio do Rio Grande do Sul apresentou um panorama complicado. Apesar da estabilidade nos custos de produção, a redução nos preços recebidos pelos agricultores gerou preocupações sobre a rentabilidade das atividades agropecuárias ao longo do ano.

Segundo dados da Assessoria Econômica do Sistema Farsul, o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) teve uma variação positiva de apenas 0,04% no mês, indicando uma relativa estabilidade nos custos das atividades rurais. No entanto, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) caiu 1,98%, interrompendo uma trajetória de recuperação observada nos meses anteriores.

Fatores que Influenciam os Custos

A estabilidade dos custos foi impulsionada pela valorização do real em relação ao dólar, que reduziu os preços de insumos importados, como fertilizantes e defensivos agrícolas. Além disso, a queda nos preços do diesel ajudou a diminuir as despesas com transporte e logística nas propriedades rurais.

Apesar da estabilidade em maio, os dados indicam que a pressão sobre os custos voltou a aumentar nos últimos meses. No acumulado de 12 meses, o IICP apresenta alta de 3,11%, revertendo o cenário de deflação observado em parte de 2025. Em 2026, o avanço chega a 5,94%, principalmente devido a aumentos registrados entre março e abril.

Impacto na Receita dos Produtores

Enquanto os custos se mantiveram estáveis, a receita dos produtores sofreu uma nova queda em maio. A retração de 1,98% no IIPR foi puxada pela desvalorização de produtos-chave da agropecuária gaúcha, como soja, arroz e suínos. Com isso, o índice acumula uma queda de 7,64% nos últimos 12 meses, evidenciando que os preços pagos aos produtores estão abaixo dos valores do ano anterior.

Esse cenário reforça um dos principais desafios do setor: a dificuldade em manter a rentabilidade quando os preços dos produtos agropecuários caem mais rapidamente do que os custos de produção.

Descompasso na Cadeia Produtiva

Outro ponto relevante destacado pela Farsul é a diferença entre os preços recebidos pelos produtores e os valores pagos pelos consumidores. Enquanto o IIPR acumula uma retração de 7,64% em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para alimentos registrou alta de 3,87% no mesmo período.

Os economistas da entidade apontam que esse descompasso indica que a inflação dos alimentos não se origina nas propriedades rurais, mas sim nas etapas subsequentes da cadeia produtiva, que incluem processamento, transporte e distribuição.

Expectativas Futuras

A combinação de custos elevados e preços em queda mantém os produtores rurais em alerta. Embora a valorização do câmbio e a redução do diesel tenham aliviado parte das despesas, a recuperação da rentabilidade dependerá da valorização das principais commodities agropecuárias e de um ambiente de mercado mais favorável nos próximos meses.

Os indicadores apresentados fazem parte da série histórica monitorada pelo Sistema Farsul e são essenciais para acompanhar a evolução da renda e dos custos do setor agropecuário no Rio Grande do Sul.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta