Previa: Os custos de produção agropecuária no Rio Grande do Sul apresentaram uma leve queda em junho, mas a Farsul alerta para um possível aumento devido à instabilidade no mercado de petróleo.
Em junho, o custo de produção da agropecuária no Rio Grande do Sul caiu 1,24%, conforme o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) da Farsul. Essa redução foi impulsionada pela desvalorização do petróleo, após um cessar-fogo temporário no Oriente Médio, e pela retomada das exportações de ureia pela China, que diminuíram os gastos com combustíveis e fertilizantes.
No entanto, a Farsul adverte que essa queda pode ser temporária. A recente escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio já começa a pressionar novamente os preços do petróleo, o que pode elevar os custos para os produtores rurais nos próximos meses.
Pressões acumuladas e cenário desafiador
Apesar do recuo em junho, os custos da atividade agropecuária ainda estão acima dos níveis do início do ano. O IICP acumula alta de 4,63% em 2026 e 1,50% nos últimos 12 meses, evidenciando que a queda recente não foi suficiente para compensar o aumento dos insumos desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.
Os custos de combustíveis, fertilizantes e outros insumos agrícolas continuam a ser influenciados pelas oscilações do mercado internacional, tornando a produção rural vulnerável a eventos geopolíticos.
Enquanto isso, os preços recebidos pelos produtores permanecem pressionados. O Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) registrou uma leve alta de 0,19% em junho, mas no acumulado do ano, houve uma queda de 3,86% e uma retração de 5,79% em 12 meses. Apenas o boi gordo apresentou valorização na comparação anual, enquanto produtos como arroz e suínos enfrentam uma ampla oferta no mercado, reduzindo a rentabilidade dos produtores.
Descompasso entre campo e consumidor
Os dados também revelam um contraste entre os preços pagos aos produtores e aqueles cobrados aos consumidores. Enquanto o IIPR acumula queda de 5,79% nos últimos 12 meses, o grupo Alimentos e Bebidas do IPCA apresenta alta de 3,82% no mesmo período. O IICP, por sua vez, avançou 1,50% em 12 meses.
Esse descompasso indica que a inflação nos supermercados não é diretamente relacionada ao aumento dos preços pagos ao produtor rural. A Farsul aponta que a elevação dos preços ocorre em etapas posteriores da cadeia produtiva, incluindo custos industriais, transporte e distribuição.
Preocupações com o futuro
A recuperação dos preços do petróleo em julho traz novas preocupações para o setor agropecuário. A dependência de combustíveis e fertilizantes torna o custo operacional das lavouras sensível a qualquer nova escalada de tensões geopolíticas, o que pode impactar as margens de rentabilidade dos produtores em um momento de preços agrícolas enfraquecidos.
Com os custos sujeitos à volatilidade do mercado internacional e a remuneração pela venda da produção pressionada, a Farsul recomenda cautela no planejamento financeiro das propriedades rurais. A gestão eficiente dos custos e a adoção de estratégias competitivas são essenciais para enfrentar o cenário desafiador.
O levantamento destaca que, mesmo com um alívio temporário nos custos de produção, fatores externos continuam a influenciar fortemente a atividade agropecuária. A necessidade de um planejamento financeiro sólido é crucial para preservar a rentabilidade em um ambiente econômico volátil.











